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Capítulo 8 - Papéis familiares

“Andarão dois juntos se não estiverem de acordo?” Am 3:3

 

Uma família é formada por no mínimo duas pessoas, e é dever dessas pessoas administrarem o lar, com todas as complexidades inerentes a este. Para tanto, faz-se necessário que cada membro da família desempenhe o seu papel de maneira a contribuir para a manutenção do bem-estar e do equilíbrio familiar em todas as áreas. Como num time de futebol, existem posições e papeis a serem plenamente executados por cada um: se durante um jogo todos resolverem ser atacantes, as outras posições ficarão desguarnecidas, e serão pontos frágeis que muito provavelmente ocasionarão a derrota de todo o time. Imagine se um exército não observar este detalhe em meio a uma batalha?

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As posições ou funções de cada um na família variam de acordo com a cultura, com costumes familiares trazidos pelas gerações, idade, maturidade, dentre outras variáveis. Não prego uma completa rigidez nestes posicionamentos, como muitos o fazem. Creio que cada família precisa conversar, vivenciar na prática as diversas situações de um lar, e então colocar cada um onde melhor se encaixar.

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Vejamos agora cada possível posição familiar, na visão bíblica cristã evangélica:

 

1 – Homem

Na Bíblia vemos versículos dizendo: “Seja homem”, “seja forte”, “corajoso”, mas hoje tem um monte de homem que não se posiciona. É a mulher que está matando a barata, isto é, ela é quem precisa tomar as decisões, agilizar a manutenção de equipamentos do lar, os vazamentos dos canos, a troca das lâmpadas, senão o “banana” não decide nada! Sobre isso o Pr. Cláudio Duarte diz: “Eu sou de uma época que o homem não tomava mel, ele chupava a abelha! Mas hoje, o que mais se vê é homem banana por aí”.

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Quando Eva e depois Adão comeram da fruta proibida, Deus cobrou de quem? Do homem! De Adão! Deus vai cobrar de você, homem, o que vier a acontecer com sua família. Na Bíblia, Deus sempre cobrou do homem a responsabilidade do que acontecia nas casas. Se você é homem, a responsabilidade espiritual do lar é sua! Você é o sacerdote de sua casa. Esse é o seu primeiro ministério.

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Isso nos leva ao nevrálgico assunto “ser cabeça”. Biblicamente entendemos que o homem foi colocado como o cabeça do lar. Isso não significa que o marido deve ser um tirano, um ditador, uma pessoa insensível que trata os membros da família como súditos. Entendo que as decisões devem ser tomadas sempre em conjunto. Cada um expõe sua opinião sobre a questão, e num consenso decidem pelo que é melhor para a família. E como ficaria a questão “ser cabeça”? Fácil: se após muita conversa sobre determinado assunto entre marido e mulher onde algo precisa ser decidido, e mesmo com todos os prós e contras apresentados não se chegar a um consenso, então neste caso particular fica sobre os ombros do homem a palavra final. Nesta hora, o homem deverá demonstrar amor, empatia, compreensão, procurando encontrar uma solução que agrade ambas as partes. Se o relacionamento não for tirano, situações como estas serão raras. Confesso que em 25 anos de casamento, só precisei usar deste recurso uma única vez.

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Já para outras questões, como a administração financeira, quem lava, passa, cozinha, quem faz a lição com os filhos, quem vai ao mercado, dentre muitas outras, vejo que deve ser de responsabilidade do casal perceber quem melhor desempenha cada atividade bem com quem tem disponibilidade para tal. Um exemplo comum é: quem deve administrar as finanças do lar? Para os mais ‘tradicionais’, esta é uma função exclusiva do homem. Por isso existem muitos lares falidos financeiramente, pois os homens que os gerem não são aptos para tal função. Portanto, aconselho que esta função fique a cargo daquele que tem mais habilidade para tal, que saiba se planejar, que tenha controle sobre os impulsos consumistas próprios, bem como de sua família.

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Existem ainda hoje muitos homens que delineiam uma firme linha divisória entre as atividades de homens e atividades de mulheres, e geralmente trazem costumes antigos e ineficientes onde só a mulher cozinha, lava, passa, cuida da casa e dos filhos. Sinceramente não sei se realmente acreditam que esta é a melhor estratégia a ser vivida num lar ou se perpetuam este costume por lhes ser cômodo.

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Em alguns casos, a falta de empatia é tamanha que a mulher trabalha fora para complementar a renda familiar e ao chegar em casa ainda precisa cuidar sozinha de todas as atividades do lar enquanto o homem descansa no sofá!

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Tem homem que se omite em tudo relacionado às crianças ou adolescentes. Colocam toda a carga da casa, da educação das crianças, reuniões escolares, educação religiosa e até da disciplina sobre os ombros das esposas. Esta é uma covarde busca por uma posição de conforto, mas que traz demasiado desconforto para suas esposas.

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Homem, assuma seu papel e faça sua esposa e filhos se sentirem acolhidos, protegidos e bem cuidados. As mulheres, por mais que se sintam tentadas a comandar, lá no fundo, às vezes bem lá no fundo, gostam de um homem que cumpre adequadamente seu papel. O peso, a carga, o ônus e o bônus de uma vida familiar precisam ser divididos de maneira que ambos possam viver, ao invés de sobreviver.

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A Bíblia orienta os homens a amarem suas esposas como Cristo amou a sua igreja (Ef 5:25). E como Cristo a amou?  Tão intensamente que renunciou a sua gloria no céu, se fez homem, sofreu nossas dores e se entregou numa cruz para nos salvar.

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Um homem que ama tão intensamente sua mulher não a tratará como uma coisa qualquer, mas demonstrará amor, zelo, proteção.  Um homem com tamanho amor por sua esposa será fiel a ela, suprirá suas necessidades, buscará todos os meios possíveis para fazê-la feliz, perdoará suas possíveis falhas, e, se necessário for, se colocará diante de uma arma para proteger sua amada.

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Homens, não se omitam em suas funções.  Onde você estiver falhando será o lugar que sua esposa precisará agir. Isso pode ser confortável para você por um momento, mas depois você vai reclamar por ter uma esposa controladora, uma ‘Jezabel’, mas que só passou a ser assim por que seu marido não se posicionou adequadamente, e ela acabou precisando agir.

 

2 - Mulher

Grande parte das mulheres não gosta quando chega o momento de tratar sobre o papel familiar que devem desempenhar num lar. Isso por que durante muito tempo homens ensinaram que a mulher não devia participar das decisões familiares, obedecendo sempre sem questionar, que deviam assumir com esmero e sozinha todas as atividades domésticas (mesmo quando também tivessem um emprego). Posso entendê-las nesta repulsa a este assunto. Não se preocupem, minha abordagem será diferente, mas dentro do que entendo biblicamente.

Vivemos num tempo onde a mulher se atirou no mercado de trabalho e tem alcançado cargos altos nas empresas, mas isso não muda o fato de que, em casa, há um papel bem definido por Deus para ela. Que a mulher deve ser submissa, isso está claro! (Desculpe se você achou que minha “abordagem diferente” anularia esta questão). No entanto, não entendo submissão como outros, que distorceram esta palavra tendenciosamente.

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Vejo a submissão da esposa quando ela “coloca-se debaixo de uma mesma missão”; a missão de administrar o lar conjuntamente com o homem, não sendo capacho, nem escrava ou serviçal, mas como disse no tópico direcionado aos homens, ajudando e participando ativamente na tomada de decisões, bem como acatando respeitosamente aquelas raríssimas decisões que o marido precisar tomar quando ambos não conseguirem chegar num consenso.

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Algumas mulheres não são sábias, mas desagradáveis porque, além de não permitirem a opinião dos seus maridos, tomam decisões sem consultar, brigam pelo controle de tudo e só aceitam as coisas do seu jeito. Em alguns casos, a falta de atitude do homem provocou esta atitude da mulher: só existe Jezabel onde há um Acabe.

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Vejam o que ouvi da Pra. Helena Tannure: “Vocês já viram algum elemento da Trindade em disputa? Não! Eles são um! Assim deve ser o casal que se completa um ao outro. “Uma só carne...” “Você está chateada por que o homem está no comando? Reclama com Deus!”.

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Sua família precisa funcionar como um só corpo, e corpo com duas cabeças é um monstro!

 

- Filhos

Os filhos precisam reconhecer a autoridade de seus pais. Essa autoridade não deixa de existir se o filho for um PhD e o pai um analfabeto. Não deixa de existir por que o salário do filho é mil vezes maior que o dos pais. Enquanto o filho não estiver casado ou se ainda não é “dono do seu próprio nariz", seus pais são autoridade sobre ele.

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Tem muito filho ainda dependente dos pais, vivendo debaixo do mesmo teto e que querem tomar as rédeas de suas próprias vidas quando o assunto lhes é conveniente, mas na hora de pagar as suas contas, de exigir suas roupas novas e seus tênis extravagantes, então deixam isso ao encargo de seus pais. Ora, que conveniente, não?

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Mas e quando estes filhos se casam? Ou quando se tornam independentes e vão morar noutro lugar? Neste caso, a obediência deixa de existir. A autoridade dos pais não deve mais ser forçada sobre eles. Agora eles é que serão os donos de suas decisões, bem como serão também servos delas. O que deverão aos seus pais agora é respeito, honra, carinho, amor e cuidados quando estes precisarem (I Tm 5:4). O que antes eram ordens dos pais aos filhos, agora devem se transformar em conselhos de pais aos filhos. Cabe aos filhos decidir se acatam ou não, bem como arcar com as consequências destas decisões.

 

“Ouçam, meus filhos, a instrução de um pai; estejam atentos e obterão discernimento. O ensino que ofereço a vocês é bom; por isso não abandonem a minha instrução. Quando eu era menino, ainda pequeno, em companhia de meu pai, um filho muito especial para minha mãe, ele me ensinava e me dizia: "Apegue-se às minhas palavras de todo o coração; obedeça aos meus mandamentos, e você terá vida. Procure obter sabedoria e entendimento; não se esqueça das minhas palavras nem delas se afaste. Não abandone a sabedoria, e ela o protegerá; ame-a, e ela cuidará de você”. Pv 4:1-6

 

3 – Pais

“Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.” Ef 6:4

 

“Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar”. Dt 6:6-7

 

Vemos em diversos versículos a orientação divina aos pais no sentido de ensinar-lhes sobre as Leis de Deus. Esta é sem dúvida uma orientação que vale por centenas de outras, veja por que: quando você instrui seus filhos na lei do Senhor, você o ensina a ser honesto, a não mentir, a ser justo, a respeitar, honrar, obedecer, amar e etc. Se você se esmerar em gerar filhos verdadeiramente apaixonados por Cristo, certamente se sentirá plenamente realizado como pai ou mãe.

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Outro direcionamento que Deus dá refere-se a disciplina. Vivemos num tempo em que os pais tentam ‘compensar' sua ausência com permissividade demasiada, com a ausência de uma correta disciplina.

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Em Provérbios 13:24 diz: “Quem se nega a castigar seu filho, não o ama; quem ama não hesita em discipliná-lo”. Claro que tudo deve ser feito na hora certa, pelo motivo certo, da maneira correta, na dose certa e no lugar correto. Quando os pais atendem a todas as vontades de seus filhos, isso é conhecido não como amor pelos terapeutas, mas como irresponsabilidade paterna.

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Uma planta pequena quando não tem uma madeirinha ao lado para fixação de seu fino tronco, acaba crescendo torta. Quando já é uma grande árvore formada, não existirá mais a possibilidade de ajustá-la e torná-la reta. Será sempre torta. Seu filho pode ser comparado a esta árvore. Se você não direcionar seu filho, sua filha quando ainda pode ser flexível, maleável, depois de crescido(a) será muito mais difícil.

 

Reflexão do Capítulo

Davi foi um grande adorador, um guerreiro incrível e um líder excepcional, no entanto falhou grandiosamente em sua casa. Abigail foi uma sábia mulher que, por assumir seu devido papel, salvou toda a sua família da morte.

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A sua tomada (ou não) de atitude, o seu posicionamento ou a falta dele também podem fazer com que você salve sua família, ou a perca. Ninguém é obrigado a se casar, mas se você o fizer (ou se já o fez), saiba que existem papeis num lar, e você precisará assumir o seu da melhor maneira possível, com o máximo de esmero e dedicação, se superando a cada dia.

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Certamente existem muitos outros papeis, funções ou atividades a serem desempenhadas na administração de um lar. A intenção aqui não foi a de detalhar um grande número deles, mas de mostrar a você os principais, bem como te fazer entender a importância de manter sua casa bem estruturada, alinhavada e funcionando a plena carga em direção ao bem-estar de todos.

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