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Capítulo 7 - A arte de administrar conflitos conjugais

De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês? Tg 4:1

 

Vez por outra você tem conflitos com seu cônjuge? Se desentendem? Chegam a discutir? Meus Deus! Que bom! É um sinal que vocês são normais! E humanos! Ter conflitos na relação humana é absolutamente normal – e se tratando de casal, com tanto em comum também em incomum, é de certo modo aceitável, e não é de modo algum motivo para você pensar que se casou com a pessoa errada.

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Na verdade, um relacionamento sem conflitos pode ser tão ou mais frágil que um relacionamento conflituoso. A ausência de conflitos pode estar demonstrando uma terrível indiferença na relação.

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O que vai diferenciar os conflitos normais de um casal ‘normal’ dos conflitos realmente perigosos de um casal com problemas sérios é: a frequência com que se tem conflitos, os motivos e a intensidade deles.

 

Frequência

Se os conflitos acontecem com muita frequência, se qualquer coisa mínima é motivo para as desavenças, e se de tão frequentes começam até a acontecer em frente aos amigos, familiares e filhos, certamente este hábito será como um corrosivo para os sentimentos bons, algo que desgastará o prazer de estarem juntos.

 

Motivos

Se os conflitos acontecem por motivos que ferem a confiança, a dignidade, a lealdade do cônjuge, novamente temos aqui algo que pode deteriorar um relacionamento. Conheci um caso onde o marido tinha muito ciúme do relacionamento da esposa com o próprio filho dela (enteado dele)! Isso a machucava, e não poderia ser por menos! Como ele poderia imaginar, e expor para ela, uma desconfiança de que uma mãe teria um relacionamento extraconjugal com o próprio filho?

 

Intensidade

Um conflito pode ser definido como uma divergência de pensamento com outra pessoa, donde surge um impasse. Quando isso acontece com você e seu chefe, você grita, bate porta, ou sabiamente procura um diálogo? E quando acontece isso com seu colega de trabalho? Ou com seus pais? Você ‘perde a linha’? Ou dialoga em busca de um denominador comum?

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Por que é mais fácil ser educado na rua, na empresa ou com seus pais, enquanto em casa não se consegue alcançar o controle emocional?

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Você certamente já sabe que com diálogo, paciência, amor e empatia as chances são muito maiores de se obter sucesso num impasse, não é? Sabe que aos berros e pirraças infantis o conflito só tende a piorar? Mas por que é tão difícil fazer o que é certo neste momento?

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De acordo com os dicionários, conflito pode significar “profunda falta de entendimento entre duas ou mais partes”, dentre outros significados. Estar em desacordo pode ser conflituoso ou não. O conflito é o desacordo das partes procurando vencer, enquanto se luta para não ser vencido, o que é ainda pior.

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Este tem sido o motivo de inúmeros divórcios todos os dias - a falta de habilidade em resolver conflitos, a famosa “Incompatibilidade de gênios”. Motivos não faltam: sexo, interferência externa, ciúmes, administração financeira, amizades, adaptação dos costumes que cada um trouxe de sua família de origem, projetos futuros, criação de filhos, stress, falta de atenção, etc.

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            Vamos ver então a seguir algumas dicas que, a princípio podem parecer simples, mas no dia a dia de um casamento podem fazer total diferença no seu relacionamento.

 

- Seja um pacificador

 

“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira. A língua dos sábios adorna a sabedoria, mas a boca dos tolos derrama a estultícia” - Pv 15:1-2

 

Durante a resolução de uma questão difícil, você ajuda a manter a boa qualidade do diálogo? Ou é aquele que joga ‘lenha na fogueira’?

 

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” - Mt 5:9

 

- Tenha uma ‘peneira’ de tamanho ideal

Existem peneiras com uma trama bem fina, isto é, aberturas minúsculas. Assim, somente um pó bem fino passará. Dependendo da necessidade do trabalhador, a peneira deverá ter uma trama mais fina ou mais espaçada.

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Se num relacionamento conjugal ou mesmo familiar a trama da ‘peneira’ não for bem escolhida e for fina demais, o dono desta ‘peneira’ será um chato insuportável, não deixará ‘passar nada’, reclamará por absolutamente tudo o tempo todo.

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Penso que esta trama deve ser ajustada de modo a ‘deixar passar’ aquilo que não é tão incômodo para você, restando a ser exposto e conversado apenas aqueles pontos que realmente justificam esta necessidade.

 

- Aprenda a ceder

Esta é uma habilidade fundamental quando se deseja viver em harmonia entre irmãos, com amigos do trabalho, na igreja, na comunidade, no trânsito, bem como em família.

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Aquele que não sabe ceder deveria tornar-se um ermitão, bem longe de tudo e de todos. Quem não sabe ceder na verdade é uma pessoa sem empatia, um completo egoísta.

Não é o ideal ceder sempre! Assim como nunca ceder!

 

- Ironia e Sarcasmo não ajudam

A ironia usada na hora errada ao invés de aliviar a tensão, de ser engraçada, de quebrar o gelo, na verdade só piora a situação. Por exemplo: a mulher está estressada e aos berros e o marido diz: "Fala mais alto que lá da esquina ainda não dá para ouvir".

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Já o sarcasmo é quando a pessoa usa palavras ou gestos maliciosos que menosprezam, diminuem, ofendem e machucam a outra pessoa: "Nossa, que inteligente... você pensou isso sozinho?"

Agora responda para gente: como é que a ironia e o sarcasmo vão te ajudar de fato a melhorar a comunicação de vocês? Ou aprimorar o relacionamento? Só servem para mostrar a incapacidade de dialogar... a falta de habilidade em se comunicar adequadamente.

 

- Não “jogue na cara”

É horrível quando, em meio a uma argumentação, uma das partes lembra de fatos e ‘joga na cara’ do outro as vezes em que ajudou ou cedeu, tentando com isso convencer o outro a fazer o mesmo agora, ou a convencê-lo de algo.

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Se no passado existem ‘manchas’, elas precisam ser passadas à limpo. Quando se faz isso, a mancha acaba e não deve ser mais ressuscitada durante os diálogos do casal. “Jogar na cara” é uma atitude repulsiva que machuca e demonstra que não houve perdão de fato.

 

- Tenha empatia

Quando tenho empatia por meu cônjuge, me coloco no lugar dele ao ouvi-lo reclamar sobre algo. Assim, fica mais fácil entender os aspectos de seus questionamentos e compará-los com os meus. Diferente de pensar egoisticamente e não ver mais nada além do meu umbigo.

 

- Se expresse construtivamente

Não ajuda em nada tentar resolver algum conflito se utilizando de gritos, acusações, ofensas ou palavrões: “Só fale alguma coisa quando suas palavras forem melhores que o silêncio”. Se você está nervoso e a única coisa que vai sair de sua boca não vai ajudar a resolver a questão, então é melhor ficar calado e esperar o momento ideal para conversar.

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Trabalho numa área nuclear, e entendo que alguns radionuclídeos podem ser usados para o mal, como bombas, por exemplo, ou para o bem, como diversas aplicações na medicina. O mesmo pode-se dizer das palavras - elas podem curar ou matar, e esta decisão está em cada um de nós. Então que tal usá-las para curar?

 

- Nada de apontar dedos

Para muitas pessoas, ter um dedo em riste para si é uma afronta a ser rebatida com veemência. Evite este ato que é considerado grande falta de educação pela maioria das pessoas. Uns podem aceitar como uma pequena falta de educação, outros como um atrevimento digno de um violento revide físico. Cuidado! A maioria das pessoas que vive à sua volta e você pensa conhecer, na verdade os conhece em situação de calmaria, ainda não os viu verdadeiramente irritados.

 

- Ouça

Tão ou mais importante quanto saber falar é saber ouvir. Faz parte fundamental da boa comunicação. John Maxwell, que é um grande escritor da área de liderança diz assim: “Ouça os choros e não terás que ouvir os gritos”. Ouça o seu filho, o marido, a esposa, seus pais. Use um tempo de qualidade para isso, demostrando valorização pelo que é falado e boa vontade para abrir o coração.

 

- Um conflito de cada vez

Procure resolver cada conflito por vez. Não espere para juntar assuntos a serem discutidos, nem aproveite um conflito que surgiu agora para ‘desenterrar defuntos’ que você mesmo preferiu enterrar ao invés de resolver.

 

- Procure uma solução que atenda a ambos

 

“Descobri há muito tempo que um dos maiores fatores para um casamento feliz é a cuidadosa preocupação com o conforto e o bem-estar do companheiro. Na maioria dos casos, o egoísmo é o fator principal que causa brigas, separações, divórcios e sofrimento”. Gordon B. Hinckley

           

Pensar apenas no seu posicionamento, no seu bem-estar, nos seus projetos, nos seus sonhos e nas suas vontades em detrimento do coletivo familiar é puro egoísmo, um dos maiores detonadores de casamentos.

 

- Não envolva mais ‘ninguém’

Quando você envolve um terapeuta familiar, um pastor, está de certo modo envolvendo alguém que tem por obrigação ser neutro, alguém que analisará a situação ‘de fora’ e de acordo com seus conhecimentos teóricos e práticos, alguém que dará conselhos objetivando ajudar o coletivo, a família, não um deles em detrimento do outro.

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Sua mãe, seu amigo de trabalho e a vizinha não farão o mesmo, e provavelmente te darão razão estando você certo ou errado, e isso enrijecerá sua ‘cerviz’, dificultando ainda mais um bom acordo entre você e seu cônjuge.

 

- Orem juntos

Você bem sabe que ‘...a oração de um justo pode muito em seus efeitos...’ (Tg 5:16). Existem situações em que um não conseguirá convencer o outro, e o impasse será grande o bastante para atrapalhar o bom andamento da vida conjugal ou familiar. Em momentos assim será fundamental buscarem a ajuda dAquele que criou o casamento lá no Éden, depois recomeçou a humanidade através de outra família (Noé), e quando enviou seu Filho Jesus, o fez iniciar seus milagres públicos num casamento. Um Deus que teve a incrível ideia de juntar duas pessoas completamente diferentes vivendo num mesmo lar, tomando decisões em conjunto, e precisando concordar em quase tudo. Eita!

 

- Não seja ‘controlador’

O controlador é aquele que quer tudo do seu jeito, a seu modo e a seu tempo. Assim está sempre procurando manipular, de um jeito ou outro, a sua família de modo a ter tudo realizado a seu gosto. O fato é que um relacionamento com alguém que possui esta característica é desgastante, frustrante e cansativo. Ceder vez ou outra é normal, mas ter que ceder sempre ao controlador, abdicando sempre de suas vontades, aí é sofrível, difícil de suportar.

 

- Escolha o momento, o local e a maneira certa para as DRs

Faça isso com calma, conversando ao invés de gritar, frente a frente e não em cômodos diferentes, sem cara de deboche, sem sarcasmo, com argumentação sadia, longe de outros familiares e amigos, sempre permitindo que o outro também fale. O que se objetiva é a solução para o impasse do momento, não sair como vencedor.

 

- Não faça ameaças

A ameaça é a arma daquele que não tem mais argumentação, daquele que quer vencer a discussão e calar o outro a qualquer custo. Este outro pode até ceder a esta ‘chantagem’, mas o fará por pressão, não por concordar. Até quando suportará este tipo de ‘convencimento’? Pra sempre? Creio que não! A ameaça definitivamente não faz parte da arte de administrar conflitos.

 

- Não tenham ‘DRs’ com fome

Já percebeu como você ou qualquer outro fica nervoso quando está com fome? Se já há um fator estressante no seu cônjuge, por que tentar ajustar algo no seu casamento justamente num momento onde as chances são grandes de ‘dar ruim’?

 

- Peça desculpas

Para a maioria das pessoas, pedir desculpa é vergonhoso, é sinalizar que errou. Para tolos o reconhecimento de um erro é sinal de fraqueza, mas para os sábios, é sinal de honra e sabedoria. E afinal de contas quem não erra?

 

- “Melhor ser feliz do que ter razão”

Imagina a cena: você já falou mil vezes para não deixarem o sabonete no chão do banheiro... já pediu, implorou, brigou, conversou, mas o sabonete continua lá sempre que você entra no banho. Você tem algumas opções: 1. Continuar surtando e tentando fazer com que o cônjuge e/ou os filhos aprendam; 2. Amarrar um barbante com um nó no meio do sabonete, e a outra ponta na saboneteira; 3. Decidir que prefere ser feliz do que ter razão, parar de reclamar e sempre pegar o sabonete no chão e o colocar na saboneteira; 4. ‘Pirar’ de vez e assumir que o lugar do sabonete é no chão e passar a deixá-lo lá também.

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Risos à parte, é claro que brinquei com extremos, mas mostrei que existem opções que não te deixarão tão perto da camisa de força! Pense nisso!

 

- Não fuja do assunto

 Problemas não são como vinho que melhoram com o tempo – na verdade são como animais mortos que cheiram cada vez pior. Não fuja do assunto, não seja evasivo. O que é combinado não sai caro”. Se o ‘assunto-problema’ for bem resolvido hoje, amanhã não será causa de dor de cabeça. Melhor resolver logo e virar a página!

 

- Não busque ser ‘o vencedor’ da pendenga

O mundialmente famoso escritor John Maxwell, bom articulador, sempre vencia as discussões com sua esposa, e dizia: Yes! Um dia sua esposa disse-lhe: “John, você é bom nas palavras. Sempre me vence nas argumentações. Você é um vencedor nato, mas está perdendo o meu amor”.

Suas ‘DRs’ não são disputas, mas tentativas de ajustes. Não há um vencedor individual: ou os dois ganham, ou os dois perdem, entendeu?

 

- Seja parte da solução, não do problema

Pergunte-se: Será que eu que sou o encrenqueiro? O ‘barraqueiro?’? A rixosa (Pv 21:9)? Se apenas seu cônjuge acha isso, talvez ele esteja errado. Mas se ele, os filhos e mais algumas pessoas sinceras já disseram que você é ‘complicada’, ‘briguento’ ou barraqueiro, só te digo uma coisa: ‘ishi’! “Tá pegando” pra você!

 

Para finalizar, saiba que nem todos os problemas dentro de um relacionamento terão solução. Algumas incompatibilidades acompanharão o casal por décadas, e talvez por toda a vida. Vocês dois precisarão de muito diálogo, muita empatia, compreensão, amor, paciência, paciência, uma comunicação impecável, e muita, muita paciência.

© 2026 por Edvanderson Rodrigues - Todos direitos Reservados.

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