

Capítulo 2 - A junção de 2 mundos

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Em Manaus (AM) há um fenômeno belíssimo que foi considerado patrimônio cultural brasileiro pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) conhecido como “O encontro das Águas”. Nele, o Rio Negro que nasce na Colômbia e o Rio Solimões, do Peru, se encontram formando um incrível espetáculo, já que suas águas não se misturam de imediato, e isso faz com que ambos corram paralelamente por aproximadamente 6 quilômetros onde, gradativamente, vão se tornando um de fato.
As águas do Rio Negro são limpas e bem escuras devido à grande quantidade de ácidos orgânicos oriundos da decomposição da vegetação que vem trazendo desde sua nascente. Suas águas correm a cerca de 2 Km/h, com uma temperatura em torno dos 22 graus e com alto pH. Já o Solimões tem suas águas de cor marrom que mais parecem ‘café com leite’ devido aos sedimentos de erosão de material vulcânico. Ele desce lado a lado com o Rio Negro a uma velocidade de cerca de 6 Km/h, possui baixo pH e sua temperatura fica em torno dos 28 graus.
Devido a essas peculiaridades químicas, acidez e densidade, o visual é realmente um espetáculo natural no contraste de suas cores, agora com um novo nome: o Rio Amazonas, o segundo rio mais extenso do planeta, o primeiro em vazão de água, e que desemboca no Oceano Atlântico.
Você pode estar se perguntando: “Mas que raios isso tem a ver com meu futuro casamento?” (risos). Respondo: O início do casamento pode ser visto como o encontro destes dois rios. São duas pessoas distintas, com características, personalidades e gostos que se assemelham em alguns pontos, mas que se diferenciam em muitos outros. Quando enfim se casam, não se adequarão instantaneamente, não deixarão de gostar do que sempre gostaram, nem deixarão na cerimônia de casamento os seus pontos característicos de personalidade.
Durante dias, meses e anos irão caminhar juntos enquanto buscam equalizar gradativamente suas diferenças, temperatura, pH, ritmo e cor. No início, quando estas duas ‘águas’ se veem correndo juntas, geram algumas turbulências: a temperatura de um quer prevalecer sobre a do outro, o pH, a cor, seus gostos, preferências, onde deve ficar a toalha molhada, se dormirão com luzes acesas ou apagadas, a quantidade de sal nos alimentos, se ele deve lavar as cuecas no box ou se irão para a máquina de lavar, e assim por diante.
Os rios estão juntos agora. Poderiam ter seguido cursos diferentes, mas ‘resolveram’ caminhar juntos. Agora não tem mais volta. De igual forma você precisa ver o seu casamento: se já é uma decisão tomada de que não quer mais andar sozinho, então pense muito, muito mesmo, escolha com muita sabedoria, ore buscando direcionamento de Deus, e se continuar com essa ideia, então unam-se para fazerem juntos um novo leito; você, sua vítima, digo, o amor da sua vida e os futuros rebentos que entrarão nestas corredeiras chamada de lar.
Quando você se casar, não existirá mais o ‘seu mundo’ e o do outro. Os dois mundos se juntam formando um. As características que te identificam como solteiro(a) ficarão no passado; não há como conviver em casal com dois mundos. É preciso concatenar, juntar os dois e formar um apenas, um só corpo, um lar, uma só maneira de cuidar dos filhos, de tomar as decisões que se referem às finanças, a casa, alimentação, e etc. Imaginem-se carinhosamente como um casal de batatas cozidas. Depois que forem amassados, misturados ao leite, sal, alho, queijo ralado e margarina, há como identificar quem era a primeira ou a segunda batata? Não! Os dois formaram um elemento novo, um mundo novo – um delicioso purê de batatas!
Mas e se eu misturar água e óleo num copo? Pode ser que, por algum tempo, fiquem aparentemente juntos, mas em seguida os veremos separados novamente. É que as características de ambos impedem a perfeita junção.
Será que você procurou alguém compatível para se ‘misturar’ e viver uma vida juntos de verdade, como no purê? Ou será que precisarão sempre ser ‘chacoalhados’ para estarem juntos por mais um tempo, e de novo, e de novo, como água e óleo? Muitos não veem isso quando estão apaixonados, ou veem, mas preferem fechar os olhos. Esses certamente estão praticando a ‘audição seletiva’ que falei no capítulo anterior, e acabam sofrendo.
A junção destes mundos é um processo lento que inclui rompimentos e alianças. Vamos entender:
Rompimentos
“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão ambos uma só carne.” Gn.: 2:24 / Ef.: 5:31
Para que a junção ocorra de maneira perfeita, é ideal que antes ocorra o corte do cordão umbilical com relação aos pais. Diferente do que alguns pensam, não se trata de abandonar, deixar de visita-los, ignorá-los em datas festivas, dificultar a visita deles em sua casa, não ligar nem dar notícias. Lembre-se: “Mas se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel.” (I Tm 5:8).
Até o momento imediatamente anterior ao casamento você terá um papel em sua casa: filho(a), e nesta situação deve aos pais obediência e honra. Ao adentrar o casamento, as coisas mudam um pouquinho de figura. Você continuará sendo filho(a), mas agora seu papel principal é ser esposo(a). Nesta nova função você não mais deve obediência aos pais, mas a honra que sempre foi requerida e que precisará continuar existindo.
Alguns pais desconhecem este ensinamento básico (ou fingem desconhecer), e estão sempre dando ordens nos filhos, querem decidir como devem ser geridas suas finanças, a casa, onde devem morar, o que comprar, quando tirar férias, quantos filhos devem ter, em qual escola devem estudar, e tudo isto gera muita dor de cabeça, principalmente ao genro ou nora. Quando isto acontecer, o filho(a) deve, de maneira sutil e lembrando-se da devida honra, mostrar que agora o comando está com ele(a) e com seu(sua) esposo(a). Deve deixar claro que sempre estará aberto a receber conselhos, mas a decisão de incorporá-los ou não em sua nova família será tomada em seu novo núcleo familiar. Se isso não funcionar, seja mais claro, enfático até, mas sem esquecer da honra; sempre. Estes limites, ou fronteiras, precisam ficar bem estabelecidas, ou alguém vai acabar invadindo o ‘quadrado’ do outro gerando desgastes em ambas as famílias – “Cada um no seu quadrado”!
Prioridades precisam ficar bem claras aos recém-casados: a do esposo é a esposa, a da esposa é o esposo. Tem quem se case e continua priorizando o pai e/ou a mãe, deixando o cônjuge em segundo ou até terceiro plano, e isto é um terrível equívoco. O rompimento precisa acontecer, e se dará principalmente em três esferas:
1 - Emocional: Um dependente emocional dos pais não toma decisões sem consulta-los, e às vezes nem consultam o cônjuge. A opinião e as preferências do cônjuge ficarão em segundo plano já que a prioridade é pai e mãe. Sempre que houver qualquer discordância entre cônjuges, será uma prática comum fazer comparações entre marido e pai, ou esposa com a mãe. Quando este ‘dependente’ precisar de conselhos, antes de conversar com o cônjuge, vai buscar conselho nos pais (em breve você verá aqui como isto, apesar de parecer correto, pode ser tão prejudicial). Se eles mudarem de igreja, cidade ou país, o dependente emocional provavelmente fará de tudo para mudar-se para perto deles. Os segredos, caso existam, serão contados para os pais e não para o cônjuge. As decisões onde tenha que escolher entre seus pais ou sua família atual, certamente estes ficarão em segundo plano.
Sei que não é fácil o corte do cordão umbilical, mas se você quer ser feliz em sua nova família, precisará se esforçar com afinco para se posicionar adequadamente em seu novo papel:
- se for o caso, diminua a frequência das suas visitas na casa deles (apenas diminuir, e só um pouquinho, não é para abandonar). Este ponto deve ser seguido apenas por aqueles que estão todos os dias na casa dos pais, deixando de equilibrar adequadamente o tempo disponível para também ficar com marido/esposa e filhos;
- não dê a chave de sua casa para que eles cheguem e saiam quando bem entenderem;
- priorize pedir conselhos ao cônjuge, e se (e somente se) necessário, estenda esse pedido também aos pais;
Resumindo: elimine os excessos.
Existem muitos pais, principalmente mães, que não suportarão perceber esse corte umbilical e com isso vão te chantagear emocionalmente em diversos aspectos, como te pedindo para ir passar natal, ano novo, feriados e tudo o mais na casa deles - até doenças alguns vão inventar só para ter mais de você com eles. Se você atender a todos estes pedidos, acabará não tendo oportunidade de passar com seus sogros, esposo(a) e filhos. Entenda: os pais não fazem isso por maldade, mas por amor, e acabam errando. Então não se aborreça com eles, tenha paciência e sabedoria para discernir cada caso e ocasião.
2 - Geográfica: O ideal é que os recém-casados não morem mais com pais ou sogros, mas em muitos casos é o que acontece devido aos poucos recursos que se tem para criar a independência do casal já de início. Então constroem um ‘puxadinho’, ou um segundo piso, ou aproveitam um pedacinho do terreno onde está a casa dos pais. Até certo ponto isso é lindo! A ‘grande família’ toda vivendo juntinha, sempre se vendo, se ajudando. No entanto, sabe-se ‘desde sempre’ que esta prática traz atritos constantes, guerra entre genro ou nora com a sogra, cunhados ‘sem noção’ entrando na casa em horário impróprio, abrindo a geladeira e tomando a liberdade de deitar na cama do casal para tirar um cochilo, sobrinhos detonando os lanchinhos dos filhos do novo casal, falta ou diminuição da privacidade, a interferência de outros na administração da casa e na criação dos filhos, e por aí vai.
“Conheço casos em que todos os filhos, noras, genros e sogros moram num mesmo quintal e não acontece nada demais”, talvez você esteja pensando agorinha. Responda com sinceridade: se temos 10 jarros e num deles tem uma serpente, mas não sei em qual, você correria 10% de risco e enfiaria a mão num deles? Ora, são só 10%! Creio que não! Mesmo sendo um risco de 10%, não deixa de ser um risco, não é mesmo? Se neste exemplo você não arriscaria sua integridade com um risco tão pequeno, por que então se lançaria num outro com 8 vezes mais chances de dar errado?
Financeira: O casamento é para quem já tem condições de manter sua família. Existem exceções, por exemplo quando já estiver casado e o principal provedor da casa vier a estar desempregado, ou doente, e a situação for realmente alarmante, então poderá receber a ajuda dos sogros, e não apenas deles, mas de todos quanto quiserem e puderem ajudar. Assim que a situação se normalizar, deve agradecer novamente pela ajuda e suspende-la. Se o dinheiro era emprestado, negociar a devolução dele. Mas isso é bem diferente que eles pagarem frequentemente por algum conforto a mais para sua casa. Esta ‘ajuda’ pode sair cara! Já vi situações onde aqueles que ajudavam também tomaram o controle das rédeas deste lar, lançando ‘na cara’ a ajuda oferecida e exigindo a contrapartida da obediência.
Se você ainda se sente dependente de seus pais em alguma destas áreas, sinto informar que você não está pronto para casar-se. Melhor esperar um pouco mais, noivo e noiva lutando juntos para que num prazo estipulado por vocês o casório ocorra com maiores chances de sucesso.
As alianças
Após o devido desligamento da família, conforme tratei na primeira parte deste capítulo, agora ocorre a tão sonhada ‘junção de mundos’. Durante o namoro não pensamos muito no quanto teremos que buscar compatibilidade durante o casamento, por isso quero refrescar sua memória trazendo alguns pontos, bem como também pretendo levantar outros que você talvez desconheça. Alguns já podem ser trabalhados na fase do namoro e noivado, então mãos à obra.
Em cursos de terapia familiar aprendemos que “o que atrai os dois no namoro será o motivo das brigas dentro do casamento”, por mais incrível que possa parecer. Se no namoro “os opostos se atraem”, quando casados, “os opostos se atracam”.
O problema é que após o casamento ele quer que ela seja como ele, pense como ele, aja como ele, e vice-versa... ora, mas não viram que eram diferentes no namoro e noivado? E isso não foi um dos fatores decisivos para que se enamorassem? Como assim agora se engalfinhem? Vai entender...
Uma moça tímida e retraída pode ficar encantada por que o namorado é extrovertido, fala e se relaciona bem com todos. Muito provavelmente este será um dos motivos de discórdias quando, já casados, ela disser: “Você é muito saidinho, folgado, fica falando com todo mundo, cumprimentando as moças que nem conhece, blá, blá, blá...”. O mesmo pode acontecer com o homem que se apaixonou pela moça comunicativa que o encantava, mas casados ele reclama que ela fala demais, que engoliu uma vitrola, e por aí vai. Citei o exemplo da facilidade de comunicação, mas poderia citar qualquer característica que possua opostos.
O que te atraiu nele(a)? Você crê que estas características ‘apaixonantes’ de hoje poderão vir a se tornar um problema mais tarde em alguma fase de suas vidas? (Puxa vida, sabe o que é pior? É que perguntar isso para você na fase do namoro provavelmente vai gerar respostas negativas... nesta fase tudo é lindo e perfeito. O que te atrai nele(a) agora é claro que jamais vai ser motivo de conflitos depois de casados, não é mesmo?)
Mas, abandonando a ironia e voltando a falar sério, há algo que você possa fazer para aprimorar estas características de modo que não sejam prejudiciais ao relacionamento no futuro?
A junção dos mundos dos gostos pessoais
O que gosta de ficar em casa casa-se com alguém que prefere passear, visitar parentes. O que sempre quer sair para comer comida japonesa casa-se com o outro que prefere churrasco. Um prefere assistir filmes, o outro a documentários. Um gosta de praia, outro de piscina. Um gosta de dormir cedo, outro tarde.
Você pode pensar que não, mas tenha absoluta certeza que estas diferenças sempre existentes entre cônjuges podem gerar problemas estratosféricos se ambos não souberem equalizar suas preferências, viverem com empatia, paciência e amor.
Vocês já conversaram sobre seus gostos pessoais? O que farão a respeito quando estas situações surgirem? Pretendem resolver de que maneira? Vão se engalfinhar tentando convencer um ao outro a praticar seus gostos pessoais?
A junção dos mundos familiares
Você sabia que quando se casa, você também está se casando com o pai dela, a mãe dela, seus cunhados, e até com o cachorrinho da família. Sim! Eles provavelmente estarão sempre por perto, ligando, dando conselhos, procurando mostrar a maneira ‘correta’ de como você deve fazer algo. Quando menos esperar, eles chegarão na sua casa. Você sempre irá (coagido ou não) visita-los com seu cônjuge. Em determinados momentos, quando você, cônjuge e/ou filhos estiverem doentes, eles se instalarão na sua casa para ajudar. Em problemas financeiros, se puderem estarão por perto ajudando... resumindo: eles virão no pacote quando você ‘roubar’ o(a) filho(a) deles. Pensou o que? Que eles cuidariam do bebezinho deles com todo carinho, com Danoninho e Ovomaltine, e do nada você o arrancaria de lá assim tão facilmente? ‘Nã nã ni nã não’! Então reflita: como é o seu relacionamento com eles? Você investe neste relacionamento? Ou além de arrancar o filho deles de dentro de casa, ainda vai alimentar rixas? Seja amigo(a), seja sincero(a) sem ser grosseiro(a). Fale o que precisa ser falado, mas com sabedoria. Faça-os perceberem que eles ganharam um(a) filho(a), não que perderam um(a).
A junção dos mundos dos caráteres
Traição, mentiras, ‘calotes’, falta de compromisso, suborno, chantagem, falsidade, e segue a infinita lista. Se já reconheceu estas ou outras falhas de caráter no(a) namorado(a, manter-se neste projeto sem requerer que haja notória mudança é suicídio matrimonial. Ou o que você acha que vai acontecer quando você se tornar um só com ele(a), mas sem poder confiar? E quando você e seus filhos sofrerem as consequências das ‘trapaças’ que não cometeram?
Você e o cônjuge serão como água e óleo, a não ser que seu caráter torne-se como o dele (o que seria lamentável), ou que ele seja influenciado pelo seu, o que estatisticamente é pouco provável de acontecer.
A junção dos mundos das finanças
Como você verá mais detalhadamente num dos capítulos a seguir, quando você se casar o universo ‘finanças’ de cada um se tornará apenas um. Não existirá mais ‘o meu dinheiro’ e ‘o seu dinheiro’:
“Se vocês realmente querem manter a ideia de “meu dinheiro, seu dinheiro”, é melhor ficarem solteiros.” (CARDOSO, Renato; CARDOSO, Cristiane. Casamento Blindado 2.0: o seu casamento à prova de divórcio. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2017. p. 234.)
E mais:
“A primeira pedra fundamental no desenvolvimento de um planejamento financeiro é concordar que depois do casamento não será mais “meu dinheiro” e “seu dinheiro”, mas “nosso dinheiro”.” (CARDOSO, Renato; CARDOSO, Cristiane. Casamento Blindado: o seu casamento à prova de divórcio. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2012. p. 81.)
Partindo disso, como você e ele(a) lidam com finanças, contas, gastos, empréstimos e prioridades de compras? Você costuma fazer dívidas? Poupar? E ele(a)? Como se planejam para a aposentadoria? Quais são as preferências de investimento de cada um? O que cada um de vocês pensa a respeito dos gastos com cartão de crédito? Estes são apenas alguns dos pontos e decisões que, mais cedo ou mais tarde, virão à tona durante a vida familiar de vocês, e com possibilidade gigantesca de dar início a 3ª guerra mundial!
Se você percebe que seu futuro cônjuge é gastador compulsivo, não pense que ele(a) vai mudar após o casamento. Comece desde já a conversar a respeito para ajustar este ponto, pois tentar ajustar este hábito dentro do casamento sairá mais ‘caro’.
A junção dos mundos dos sonhos
Todos carregam sonhos que desejam realizar em algum momento, antes ou depois de casar: fazer sucesso como cantor(a), pregar, tocar numa banda, viajar o mundo, ser um missionário, pastor, fazer uma faculdade, comprar um apartamento, ter um carro importado, implante capilar, fazer uma volta ao mundo com os pais, ter 12 filhos, conseguir um cargo numa multinacional e trabalhar viajando constantemente, ser um piloto de avião e sempre amanhecer em países diferentes, tatuar o corpo todo, etc. As possibilidades são infinitas, mas o que não é infinita é a possibilidade do sonho de um ‘casar-se’ com o sonho do outro em todos os casos.
Veja: digamos que você tenha o sonho de trabalhar próximo de casa dentro da formação que tem (ou terá). Então se imagina acordando cedo com o cônjuge, tomando um café juntos, saindo para trabalhar, deixam o casal de filhos na escola, deixa o seu amorzinho na estação do metrô e então se dirige ao trabalho. Ao final do dia todos se encontram em casa, jantam juntos, passam algumas horas papeando, brincando, tomando um sorvete na esquina, assistindo tv, colocam as crianças para dormir, deitam-se de conchinha e então dormem... só para lembrar, este é hipoteticamente o seu sonho. Agora vejamos o sonho do outro, e não é qualquer sonho bobo, ele tem esse sonho desde que se entende por gente: ser um missionário na faixa de Gaza! E, mais! Sempre sonhou fazer isso com a esposa!
Este é apenas um pequeno exemplo em meio a tantos outros sonhos que eu poderia citar e que são incompatíveis. Você já conversou sobre isso? Já sabe se os sonhos de vocês podem ser complementares onde um ajuda o outro? Ou será que são sonhos incompatíveis? Se incompatíveis, quem vai abrir mão do sonho pelo casamento? Você?
A junção dos mundos dos corpos
Existem muitas pessoas, principalmente mulheres, que não sentem prazer algum no sexo, outras que já desistiram dele deixando o marido a ver navios (em grande parte das vezes, a culpa é dele mesmo), mas vocês não precisam passar por isso.
Existem livros fundamentais para os noivos que desejam ter um casamento pleno, com atividade sexual prazerosa para ambos (O ato conjugal, O sexo começa na cozinha, A celebração do sexo, Entre Lençóis, etc). É importante que vocês escolham pelo menos um destes livros e quando estiver faltando cerca de 2 meses para o casamento o leiam... primeiro ela, depois empresta a ele para que também leia. Por que tão perto do casamento? Simples: no namoro os hormônios estão em ebulição, e a vontade de colocar na prática a teoria que lerem nos livros pode aumentar exponencialmente. Estando mais perto do casamento fica mais fácil (ou o termo correto seria menos difícil?) se segurar mais um pouquinho. E por que ela primeiro? Por que ela consegue se segurar mais que ele (geralmente).
Estes livros falarão sobre os exames médicos que devem ser realizados antes do casamento, da importância das preliminares, como devem se comportar na lua de mel de modo a não levarem péssimas lembranças para casa, zonas erógenas, mitos e verdades sobre o sexo, o sexo na visão bíblica, métodos anticoncepcionais, doenças sexualmente transmissíveis, disfunções sexuais e muito mais.
Sexo é vida para o casamento. Invista nesta área! Prepare-se! Estude! Dê um show! (Mas só depois que casar, ok?)
A junção dos mundos das palavras
“A língua tem poder sobre a vida e sobre a morte; os que gostam de usá-la comerão do seu fruto” Pv 18:21
“Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se.” Tg 1:19
“Falar e ouvir – parece tão simples. Se é assim, então por que, ao responderem em uma pesquisa à pergunta: “Por que seu casamento fracassou?”, 80% dos indivíduos divorciados disseram: “Falta de comunicação”.” (CHAPMAN, Gary. As quatro estações do casamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2006. p. 133.)
Todos bem sabem que uma das principais colunas para um bom relacionamento conjugal é a boa comunicação. É preciso haver um bom entrosamento nesta área para que o casamento se mantenha forte e saudável. Na junção da comunicação entre você e seu futuro cônjuge, quais são as características que você já verificou que terão que ser equalizadas? Ou suprimidas? Veja algumas que você deve observar: falar demais, falar de menos, guardar segredinhos de você ou espalhar os seus aos outros, saber se expressar, grosserias, falsidade, estupidez, reclamações constantes, gritos, insensibilidade, sinceridade, fofocas, mentiras, fingimentos, irritabilidade ao tratar certos assuntos, se gosta de evitar DRs (discussão da relação), etc.
E então, você acha que são compatíveis? Se não, você não acha que é hora de colocar a comunicação em prática e já tentar resolver algumas destas questões?
A junção dos mundos das personalidades
“Personalidade é o conjunto de características psicológicas que determinam os padrões de pensar, sentir e agir, ou seja, a individualidade pessoal e social de alguém. A formação da personalidade é processo gradual, complexo e único a cada indivíduo”. (Wikipédia)
Já falamos um pouco sobre a formação da nossa personalidade num dos tópicos anteriores, agora precisamos complementar um pouco mais afirmando que ela até pode nos influenciar fortemente, mas não somos manipulados ou controlados por ela. Temos escolha. O problema é a força que ela exerce sobre nossos padrões de conduta, e em grande parte das vezes nem sequer temos tempo de filtrar uma ação/reação e quando percebemos, já aconteceu.
A questão é quando se juntam duas personalidades distintas que precisam caminhar entrosados, se amando, se respeitando, se entendendo. Ah... isso não é tão simples.
E para colocar mais caroço neste angu, de certo modo, a cada novo dia amanhecemos casados com outra pessoa – Sim! Esse indivíduo recebe novas informações diariamente, hormônios se alternam nas diferentes fases da vida (se for mulher, eles se alteraram de um dia para o outro mesmo... (risos)), experiências, frustrações, aprendizados, arrependimentos, e tudo isso transforma a pessoa em um novo indivíduo a cada dia. Certamente vocês já ouviram alguém dizer aquela expressão: “Meu cônjuge se transformou completamente. É outra pessoa. Não o reconheço mais! Não foi com esta pessoa com quem me apaixonei e me casei!”. Pois é! Às vezes as mudanças ocorrem para melhor, às vezes não - casar tem seus riscos. Sempre existirão incógnitas nesta equação. Então você precisará viver constantemente em processo de adaptação, reaprendizado, e ambos precisarão ser reconquistados diariamente – este é um grande segredo do casamento! Anote aí!
A junção dos mundos espirituais
Crenças espirituais diferentes? “Ah, já vem você com este papo...tenho uma amiga cristã que casou com um não cristão e eles vivem muito bem”. Claro que isso é possível! Também é possível que duas pessoas de mesma fé se casem e tudo dê errado. Mas não peguem exceções como regra para justificar algo matematicamente comprovado como problemático. Isso mesmo! Não se zangue comigo!
No livro ‘Em busca do amor no casamento’ (John M. Drescher) diz que “...o índice de divórcio é mais de 5 vezes maior nos casos de casamentos mistos, comparado com os casamentos em que ambos os parceiros vêm dos mesmos grupos ou de grupos religiosos semelhantes... Quando surgem os filhos, as diferenças religiosas geralmente parecem se agravar...”. Gente, 5 vezes maior! Não é pouco! Estamos falando de uma grandiosa chance de dar errado, de se ter muitos problemas a ponto de divórcio, dor, tristeza, frustração, filhos emocionalmente problemáticos, e etc. Você arriscaria tudo isso?
Tendo visto tudo isso, e provavelmente assustado, talvez você se pergunte: o que eu faço então? Como maximizar as chances de ser feliz no meu relacionamento conjugal, mesmo com tantas junções complicadas a serem feitas? Sua preocupação não é sem sentido, mas existem meios de se viver tudo isso de maneira mais tranquila (ou seria mais correto dizer “menos conflituosa?”).
- Boa comunicação, relacionando cada um destes pontos e muitos outros, entendendo como funciona a cabeça do seu futuro adversár... digo, cônjuge, e a partir daí começar a gerenciar essas diferenças buscando um resultado que será bom para ambos, não apenas para um ou outro;
- Saber ceder, não querendo impor apenas a sua maneira de agir, de pensar, ou como seus pais faziam. Quando cada um cede um pouquinho, o entendimento fica bem mais tranquilo para todos;
- Ter empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Quando ambos fazem isso, passam então a entender os porquês das preferências do outro.
Pelo que perceberam até aqui, essa coisa de ‘esconder’ certas características, de maquiar quem você realmente é torna-se completamente prejudicial no planejamento de ambos para uma família feliz. A maioria das pessoas faz isso com intenção de manter o namoro, de não decepcionar o outro e acabar perdendo-o(a), mas este é um grande erro. Fazendo assim, é o mesmo que colocar uma máscara, encenar um personagem, e seu(ua) noivo(a) vai se apaixonar, amar e casar-se com este personagem, não com você. E até quando você vai manter este personagem? Até colocar as alianças no dedo? E se depois que a máscara e o personagem se forem ele(a) não gostar de quem você realmente é? A aliança no dedo dele(a) não será motivo forte o suficiente para manter o casamento. Por isso, seja quem você é desde já. Deixe o outro te conhecer, de verdade.
Agora se o que você está mascarando dele(a) é algo que você realmente quer deixar de ser/fazer para sempre, então tudo bem, mas você precisará começar a mudar isto desde já, estando ele(a) perto ou não de você. Exemplos: “quero cuidar mais do pé e não ter chulé”; “quero deixar de falar palavrão”; “não quero mais viver na mentira”; assim é ótimo. Você não estará maquiando nenhum mau comportamento. Só estará mudando algo errado no seu comportamento. Show! Mantenha-se no foco!
É claro que quando falo na importância da junção, é importante destacar que nunca haverá completa e perfeita junção em tudo. Em um ou outro ponto vocês encontrarão um bom equilíbrio, um meio termo, mas em outros isso não será possível. Saiba que isto é perfeitamente normal, desde que os pontos conflitantes não sejam maioria, e que vocês saibam administrar estas diferenças com muita sabedoria.
Uma ‘junção perfeita’ só seria possível se existisse ‘alma-gêmea’, ‘cara-metade’, alguém que pudesse te completar com precisão cirúrgica, mas isso é impossível. A compatibilidade é algo que vocês precisarão trabalhar dia a dia; em alguns dias será mais tranquilo, noutros nem tanto, mas é importante buscarem a conciliação da melhor maneira possível, um ajudando o outro na realização daquele gosto pessoal dele, e que, apesar de não ser o seu, fará o outro feliz, realizado, e se ele se sentir assim, você também viverá recompensas por seu apoio – isso é amor! É como jogar frescobol: vocês querem apenas brincar, e quanto mais tempo a bola ou peteca ficar no alto, mais tempo jogarão, mais emocionante e divertido será. Então com este intuito um joga a bola/peteca ‘redondinha’ para que o outro consiga devolver, e assim todos ganham. Há casais que preferem jogar tênis: quanto mais difícil jogar a bola para o outro, maiores as chances de fazê-lo errar. Quando você ajuda seu cônjuge nos gostos, sonhos e projetos, você estará jogando frescobol com ele, e certamente a bola/peteca também virá ‘redondinha’ para você!
“Incompatibilidade de gênios” é uma das principais causas de divórcios atualmente, e se você não quer entrar nesta estatística, precisará se preocupar com isso desde já. Aprender com o erro dos outros é muito melhor do que aprender com seus próprios erros.
Casamento perfeito não existe, mas vocês podem ser felizes se tomarem as atitudes certas, se trabalharem arduamente e diariamente para que o relacionamento seja frutífero. Não pensem que o sucesso do relacionamento se dará por que vocês são as pessoas certas um para o outro, nem por que vocês foram sortudos ao encontrarem um ao outro, mas por que fazendo as coisas certas o amor não definhará nem morrerá.
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Capítulo 1 - Começando do Começo
Capítulo 2 - A junção de 2 mundos
Capítulo 3 – Conhecendo (de verdade) meu futuro cônjuge
Capítulo 4 - Quem não se planeja, planeja falhar
Capítulo 5 - Sonhe, mas com os pés no chão
Capítulo 7 - A arte de administrar conflitos conjugais
Capítulo 8 - Papéis familiares