

Capítulo 6 - Vamos conversar?
“A língua tem poder sobre a vida e sobre a morte...” Pv 18:21a
Se alguém estivesse para se casar e só tivesse algumas horas disponíveis para ler algo neste livro, eu provavelmente sugeriria este capítulo como um dos primeiros, dos mais importantes. É que saber como manter uma boa comunicação num relacionamento conjugal é como uma das principais colunas dentro de uma poderosa e imponente construção.
Em Provérbios 18:21 diz que “A língua tem poder sobre a vida e sobre a morte; os que gostam de usá-la comerão do seu fruto”. Você já imaginou a responsabilidade que pesa sobre seus ombros, digo, sobre sua língua? Palavras podem nutrir sonhos ou mata-los, podem edificar ou derrubar, podem levantar ou destruir... e o grande problema é que muitas pessoas não conseguem pensar antes de falar, e com suas línguas mais ágeis que seu senso de responsabilidade acabam magoando (às vezes para sempre) quem está à sua volta.
Existe um grande número de adultos complexados com sua aparência, inteligência, capacidade, tudo porque seus pais não liberavam palavras nutridoras, mas ao contrário, em momentos de descontrole emocional liberaram palavras killers (matadoras), e hoje são maridos, esposas e pais limitados, complexados e igualmente problemáticos, provavelmente repetindo os mesmos erros da geração anterior, e perpetuando sequelas emocionais.
O abandono da comunicação e/ou uma comunicação distorcida e falha são como poderosos explosivos que estão detonando relacionamentos que foram se deteriorando gradativamente, relacionamentos que gritavam por ajustes que poderiam ter sido feitos através de diálogo.
Certa vez um casal, à beira da separação, chamou um pastor para conversar. Naquela reunião, marido e mulher queriam falar ao mesmo tempo, trocavam acusações, farpas, até que o pastor colocou ordem na conversa e permitiu que a esposa falasse, impedindo interrupções por parte do marido. Depois foi a vez do marido falar, e quando a mulher tentava interromper, o pastor dizia que o tempo dela falar já tinha acabado, e que era a vez do marido. Quando o homem terminou de falar e o pastor pensou que seria o momento de aconselhar, o casal lhe disse: “Pastor, desculpe termos tomado seu tempo. Nós já nos ajustamos. Agora sim nós nos ouvimos e nos entendemos. Em casa não conseguíamos conversar pois tentávamos falar juntos, retrucar, acusar, trocar farpas, mas aqui conseguimos realmente ouvir o coração um do outro, e já nos entendemos.”. É justamente isso o que tem faltado em muitos relacionamentos: falar, se abrir, expor seu coração enquanto é atentamente ouvido; um por vez.
Marido e mulher pensam de maneiras diferentes em uma infinidade de assuntos; em alguns podemos relevar as diferenças (um torce para o Flamengo, outro para o Vasco, ou um é corintiano e o outro é palmeirense). Já outras maneiras de pensar podem causar muitos conflitos, como quando um quer mudar de religião, ou sobre a quantidade de filhos que deseja, a administração financeira do lar, etc. Discordâncias sempre (e repito: sempre) existirão. Deste modo, ou se aprende a dialogar com sabedoria, aprendendo a superar as diferenças, equalizando-as ao máximo, ou o barco vai afundar.
Sabendo disso, proponho aqui alguns direcionamentos importantes para que se tenha uma comunicação saudável, livre de ruídos que podem interferir no bom entendimento entre as partes envolvidas.
- Olhos nos olhos
Está cada vez mais difícil se ter uma comunicação ‘olhos nos olhos’. Quanto mais funções são inseridas dentro dos celulares, mais tempo se passa olhando para ele, e menos ‘olho no olho’. Mais longos são os papos virtuais com quem está distante, e mais curtos os papos reais com quem está próximo.
Ao conversar com sua esposa, filhos, pais, procure manter olhos nos olhos, escute, observe os detalhes, desligue a tv, esqueça o celular. Observe a linguagem corporal. Especialistas afirmam que 90% de uma comunicação é não verbal. Se você aprender a decifrar a linguagem corporal daquele com quem você está conversando e a ouvir com os ouvidos do coração, suas chances de sucesso na comunicação serão grandiosas.
- Sinceridade não significa grosseria
Muitos são os que tem sido confundido sinceridade com grosseria, palavras rudes, falta de amor e de carinho: ”maldita hora que casei com você”, “burra”, “ignorante”, “gorda”, “você não vai prestar para nada”, “preguiçoso”, “você não é homem”, “inútil”, etc. Estão usando a língua como uma arma de grosso calibre, ou como um veneno que mata vagarosa e dolorosamente!
Só fale algo quando estas palavras forem melhor que o silêncio. Grosserias destroem a autoimagem e a auto estima, o respeito e o bom andamento do relacionamento. Lembre-se sempre que o respeito é a base para um bom diálogo, e se há amor, o respeito precisa vir no pacote.
“Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura” - Pv 12:18
Dentro de igrejas, empresas e lares existem muitas pessoas ferindo umas às outras com palavras duras e dizendo: “sou sincero mesmo! Se não concordo ou se tenho que falar algo, falo mesmo, ‘na lata’”. Isso não é sinceridade, isso é falta de educação. Nós não precisamos falar tudo o que vem à mente, e mesmo aquelas palavras que precisam ser ditas podem ser expressas com educação, com ‘jeitinho’, de modo a acrescer, construir, ao invés de magoar ferir e derrubar.
O Pr. Josué Gonçalves conta que uma esposa ouvia todos os dias: “Você é bonita, mas é burra”. Um dia ela se irritou com o marido e lhe respondeu: “Sabe por que Deus me fez bonita? Pra você me escolher! E sabe por que Deus me fez burra? Para eu te escolher”. Não sei se ele ainda a chama assim...
Outra questão que impacta bastante é o nível de sensibilidade de cada um: existem pessoas que falam coisas duras, mas que para elas não são nada de mais, principalmente homens, geralmente não tão sensíveis como as mulheres. Aprendam algo fundamental: O importante não é o que é dito, mas o que é entendido! Difícil, não? Vocês podem construir o céu ou o inferno com suas palavras: qual dos dois vocês preferem?
“Após a lua de mel, o marido perguntou à esposa:
“Querida, você não se importa se eu apontar umas poucas falhas que você tem, se importa?”
“Certamente que não”, respondeu a jovem esposa.”
“Foram estas falhas que me impediram de conseguir uma marido melhor, querido.”
‘Em busca do amor no casamento’, John M. Drescher
- Fale com quem tem que falar
Jamais exponha os problemas conjugais aos seus pais, ao seu irmão, amigos, colegas, vizinha... estes são problemas que devem ficar só com o casal, e se já tentou e não conseguiu evoluir, então procure alguém imparcial, idôneo, como um pastor, terapeuta de casais, psicólogo, alguém que possa ouvir e ajudar imparcialmente. Seus pais serão tendenciosos a puxarem a ‘sardinha’ para seu lado, e ao invés de ajudarem, poderão deixar você ainda mais cheio de ‘razões’. O pior é que, se você depois se acertar com seu cônjuge (o que muito provavelmente acontecerá), vai ficar um clima esquisito entre seus familiares e ele.
Não ceda à tentação de confidenciar problemas conjugais aos ‘amigos’ pois eles podem te decepcionar e causar um grande estrago contando seus segredos conjugais a toda a comunidade, aos seus colegas de trabalho, igreja, etc. Tenho um amigo que ao invés de aceitar minha ajuda e os conselhos de seus pastores, contou a algum amigo do trabalho que sua esposa havia sido infiel. No exato momento em que digito estas linhas todos em sua empresa sabem da história, e muitos zombam dele com apelidos pejorativos.
- Reclame menos

(Imagem: www.independent.co.uk/)
Lawrence John Ripple, um senhor de 71 anos, assaltou um banco em Kansas City e depois se sentou no lobby do prédio para aguardar a polícia chegar e prendê-lo. Sua motivação não era o dinheiro, mas ser encarcerado e ficar longe da esposa ‘reclamona’. Ele só não contava que o juiz Carlos Murguia o condenaria a, dentre outras coisas, prisão domiciliar! (risos). Terá que ficar do lado da mulher, não vai poder nem dar uma voltinha na esquina de casa para descansar os ouvidos!
Tudo bem que às vezes reclamações são necessárias, mas ninguém gosta de ouvir reclamações o tempo todo e sobre tudo: do cônjuge, salário, trabalho, casa, metrô, igreja, pastor, familiares, igreja, vizinhos... Isso é chato! Insuportável! E pior, joga no lixo a autoestima de quem ouve críticas sobre si constantemente.
Não critique apenas! Veja o lado bom do outro e o elogie. Ele(a) deve ter algum! Impossível não ter! Talvez você precise procurar com amor, e procurar, e procurar... e certamente vai achar!
- “Para tudo tem um tempo determinado...”, até para falar
Existem dias em que não estamos bem: problemas financeiros, crises no trabalho, tensão pré-menstrual, problema de saúde, enfim, e você há de convir que não são os melhores dias para uma DR (discussão da relação), nem para reclamações.
Claro, existem assuntos que não podem esperar, mas outros que podemos sabiamente esperar um ou dois dias para trazê-los à pauta, não é mesmo? É preciso sabedoria para discernir o que pode esperar e o que precisa ser resolvido sem espera.
Quando eu era criança e queria conversar certos assuntos com meu pai, ou lhe pedir algo, geralmente tocava no assunto com minha mãe antes. Algumas vezes a ouvia dizer para ir até meu pai e conversar com ele, já noutras vezes ela dizia: “Meu filho, hoje não é um bom dia. Seu pai não está bem. Ele está irritado com algumas coisas e se você for pedir algo a ele, além de te dizer não, você ainda vai ouvir um monte! Espere o momento certo!”. Foi ali que eu aprendi que para trazer certos assuntos à tona ou para pedir algo também tem o momento certo. Isso é ser estratégico. Isso é ser sábio.
Homem, você conhece a mulher ao seu lado, sabe que alguns momentos não são propícios (na verdade, em alguns momentos não é bom nem estar perto... muito menos pedir algo ou conversar sobre certos assuntos (risos)). Idem para você, mulher. Aprenda a ler os sinais e tenha mais sucesso nos seus diálogos e pedidos!
“Há tempo de falar e há tempo de calar” - Ec 3:7
- Clareza ao falar
Existem muitas maneiras erradas de se tentar comunicar: indiretas, meias verdades, mentiras, omissão, acusações, trocas de farpas, elevar a voz e, dentre elas temos uma bastante comum num casal: a falta de clareza ao falar. Existem muitos cônjuges acreditando em telepatia, suposição e adivinhação de pensamentos, e quando o ‘caldo entorna’, reclamam por que achavam que algo estava combinado, mas na verdade o outro não havia entendido da mesma maneira. Isso acontece principalmente com mulheres, que, ao se comunicar, gostam de usar indiretas, ‘jogar verde’, falar nas entrelinhas, tudo isso achando que o marido vai entender, vai ‘captar’ a mensagem, no entanto, a maioria dos homens não tem esse dom, na verdade, a grande maioria tem uma enorme dificuldade em ‘decifrar’ enigmas, (sei bem o que é isso!) e você acaba por ficar frustrada.
Mulheres costumam dizer algo do tipo: “uhhh... me lembrei agora daquele sorvete de wasabi que é vendido perto da casa da mamãe”. O homem entende apenas que ela se lembrou do sorvete, já ela está querendo dizer: “amor, me leve agora mesmo para tomar aquele sorvete de wasabi que é vendido perto da casa da mamãe”. Se o homem apenas disser ‘uh’ e continuar nos seus afazeres, em alguns minutos vai notar a esposa emburrada, estranha... e vai perguntar: “Ué amor, por que você está assim?”, e vai ouvir: “nada não”... na terceira vez que o homem perguntar, ela vai dizer: “Eu queria tanto tomar aquele sorvete! Você nunca me leva lá! (mesmo que você a tenha levado na semana anterior). E continua: “Você não me ama, se me amasse bla, bla, bla”, e o marido ficará com cara de panaca, sem entender nada!
Precisamos parar de pensar que “se meu marido me amasse e se importasse, ele saberia o que estou sentindo, como estou sofrendo”, “se minha esposa me amasse saberia o que desejo no sexo...”. Tudo, absolutamente tudo precisa ficar bem claro, conversado, acordado entre as partes – “O combinado não sai caro!”.
Não estou puxando a ‘sardinha’ para os homens não! De jeito algum! Só pretendo mostrar que no quesito ‘comunicação’, homens e mulheres geralmente falam línguas diferentes, e conciliar isso não é tão fácil – é mais ou menos como na Torre de Babel. Quer ver outro exemplo? Para um homem, 5 minutos são 5 minutos! Para a mulher, 5 minutos significa um período indeterminado de tempo! “Já está pronta?” – “Em 5 Minutos estarei pronta, amor”. Prepare-se confortavelmente para esperar!
Quando uma mulher disse que você ‘nunca’ a leva para tomar aquele sorvete, na tradução significa: “Já faz algum tempinho que você não me leva para tomar aquele sorvete, e eu gostaria muito que fôssemos lá hoje... de preferência agorinha mesmo!”. Simples, não?
Então sejam claros... não adianta suspirar, fazer muxoxo, resmungar, gritar... estas são atitudes que não vão ajudar no casamento. Sejamos bem específicos: “não estou gostando disso”, “prefiro fazer as coisas assim”, “gostaria que você mudasse nisso...”, e pronto, as coisas vão ser bem melhores quando o canal da comunicação fluir cla-ra-men-te! Fui claro?
- Deixe o passado no passado
Claro que você não vai esquecer o que te machucou, afinal, você não teve amnésia! Mas não precisa ficar desenterrando isso em qualquer discussão, ‘jogando na cara’. Cada vez que você faz isso, é como se removesse a casca da ferida e não permitisse a cura completa do que te machucou.
Perdoar é ‘perder no ar’, e quando você perde no ar algo ruim, o mais sensato é não voltar para procurar. Se você perdoou, perdoou! Abandona o assunto, ou então não houve perdão.
“Pois, se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também perdoará vocês. Mas, se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não perdoará as ofensas de vocês.” - Mt 6:14-15
- Espere o sangue ‘esfriar’
Este é um dos conselhos mais difíceis de se colocar em prática. É que quando os ânimos estão exaltados e o sangue está ‘fervendo’, a última coisa que se deseja fazer é calar-se. Nestas ocasiões queremos mesmo é deixar o trem descarrilar de vez, falar tudo o que está ‘entalado’, liberar gritos, agressões verbais, deboche, choro, manipulação, sarcasmo, ironia, cinismo, indiretas, ‘jogar na cara’, e tudo o mais. É a vontade de ‘ganhar a briga’, ‘vencer a pendenga’, ‘provar-se certo enquanto o outro está errado’, e por aí vai.
O problema é que nesta hora não conseguimos perceber, sentir o quanto o outro é importante para nós, o quanto o(a) amamos, e então desejamos apenas deixar a raiva falar mais alto e cuspir todas as palavras que vierem à mente. O problema é que palavras podem causar feridas de difíceis cicatrização, algumas até que podem jamais cicatrizar.
Por isso, é vital puxar forças do sobrenatural, fechar a boca e mentalmente contar até 10 bem devagar, respirando fundo e vagarosamente, oxigenando o cérebro adequadamente. Se não funcionar até 10, conte até 100, 1000, mas não pare de contar enquanto sua respiração estiver curta, você estiver pensando nas palavras que poderá usar para o ataque, enquanto estiver trêmulo, mãos suando e coração acelerado – sintomas da adrenalina te preparando para uma batalha. Seu relacionamento conjugal não é campo de batalha, então conscientize seu corpo e mente disso. Certamente habituando-se a esta prática você vencerá o ímpeto de dar respostas impensadas, e evitará transtornos gigantescos, já que na hora de falar, é fácil cuspir palavras, no entanto, depois que elas saem, não voltam mais.
Se mesmo após os 10 segundos e sua reflexão, você ou seu cônjuge ainda estiverem com sangue fervendo, peça um intervalo de 10 ou 15 minutos para que os ânimos deixem de estar exaltados, vá dar uma volta, esfriar a cabeça, pensar na vida, e depois retomem a conversa. É importante que retomem e deixem o assunto resolvido.
“A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” – Pv 15:1
Outro dia ouvi uma receita milagrosa para estes casos e que funciona em 99,9% dos casos: adquira direto de Israel a água milagrosa do monte Santo de Thacouvinésius. É uma água muito milagrosa e poderosa. Toda vez que seu cônjuge começar a provocar uma discussão, ou que você quiser começar uma dessas batalhas, então corra na geladeira e encha a boca com essa água poderosa. Mas tem que ficar com a boca cheia por no mínimo 10 minutos para o milagre acontecer. Sua família certamente será plenamente abençoada com o poder desta água milagrosa do monte Santo de Thacouvinésius.
- Confidencie, se desnude
Existem muitas esposas insatisfeitas, maridos infelizes, filhos frustrados, todos vivendo debaixo do mesmo teto, mas desconhecendo a dor do outro. É a falta de boa comunicação! Muitos podem ser os motivos que levaram a este rompimento do link, como a falta de empatia, incompreensão, falta de confiança, acusações, falta de apoio, mas o link precisa ser reconectado ou todos viverão suas infelicidades para sempre, ou até quando suportarem.
Seja honesto(a), sincero(a), escolha o momento certo, as palavras adequadas, estratégias, peça ajuda a Deus, mas não se cale. O silêncio pode ser o atalho para seu divórcio.
- Saiba ouvir
Tão ou mais importante quanto saber falar é saber ouvir. É parte fundamental da boa comunicação. John Maxwell diz: “Ouça os choros e não terás que ouvir os gritos”. Ouça o seu filho, o marido, a esposa, seus pais. Use um tempo de qualidade para isso, demostrando valorização pelo que é falado e boa vontade para abrir o coração. Já soube de casos de infidelidade conjugal que começaram por que alguém de fora do ambiente familiar tinha uma habilidade de ouvir maior que o cônjuge, então o que começou com conversas, confidências e desabafos, acabou com envolvimento emocional e sexual.
“Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar”. - Tg 1:19
Ainda dentro da qualidade de saber ouvir, é muito importante dominar-se, controlar sua língua, sua vontade de começar a falar e a responder antes de terminar de ouvir. Muitas são as chances de errar, até de passar grande vergonha quando não se consegue dominar a língua. A Bíblia mais uma vez é incrível quando fala a respeito disso:
“Quem responde antes de ouvir, comete insensatez e passa vergonha”. Pv 18:13
“O que possui o conhecimento guarda as suas palavras, e o homem de entendimento é de precioso espírito. Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio; e o que cerra os seus lábios é tido por entendido”. Pv 17:27-28
- Pedir perdão é divino
Um pedido ideal de perdão não é através de um chocolate, um carinho, ou presentinho. O pedido ideal é verbal, e pode ser ou não acompanhado do chocolate, do carinho e do presentinho, que certamente irá complementar o pedido de perdão, mas não o substitui. Há um interessante livro chamado ‘As 5 linguagens do perdão’, de Gary Chapman, onde explica que cada pessoa tem uma linguagem própria para entender como válido um pedido de perdão. É que a maneira de um pedir perdão pode não ser convincente para o outro. Aconselho-te a se aprofundar neste assunto.
Mas pedir perdão pode ser algo praticamente impossível para um orgulhoso, alguém que não quer dar ‘o braço a torcer’, que não gosta de ceder, que se acha sempre ‘o certo’ da relação. Com práticas assim, o orgulhoso desmotivará o outro a procurar melhorar, já que por mais que se esforce, sempre será ‘o errado’ da relação.
- Mentiras, um cupim de relacionamentos
“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros”. Ef 4:25
Desde muito novo meu pai sempre me ensinou: “Diga sempre a verdade, mesmo que você vá se prejudicar, diga a verdade. Se em algum momento de sua vida você precisar muito que acreditem em você, acreditarão pois não se lembrarão de nenhuma mentira contada por você.”. Partindo desta importante lição, como se sucederá num relacionamento conjugal se as mentiras forem algo comum e em algum momento a confiança for colocada em cheque? Exemplo: digamos que chegue aos ouvidos da esposa que o marido está flertando com a secretária que trabalha na mesma empresa que ele. Se ela sempre o viu contar a verdade, ser honesto, correto, e agora ele disser que esta história é uma difamação, ela terá todos os motivos para crer nele. Mas e se ela sempre o viu mentir? E se ela vez ou outra descobre uma ‘mentirinha’ dele aqui e acolá? Como vai acreditar agora? E como poderia ele requerer confiança já que sempre plantou o contrário?
- ‘Gelinho’ só serve para bebidas e machucados
Você conhece o termo ‘dar um gelo’? É o mesmo que ficar emburrado, calado, não dar papo, não conversar, às vezes nem mesmo responder as perguntas do outro. É fingir que o outro não está perto. Isso só vai mostrar que você está chateado, mas não vai consertar as coisas.
Se quer mostrar que não gostou de algo, e ainda correr o risco de ganhar um bônus consertando a situação, então converse. Diga que não gostou de algo, que não quer que se repita, dê sugestões de como a situação deve ser conduzida numa próxima vez. ‘Gelinho’ é coisa de adolescente, e se você está lendo este material, acho que já passou dessa fase.
- Uma troca de pronomes que faz diferença
Geralmente, quando discutimos, costumamos acusar o outro dizendo coisas do tipo: “Você não faz o arroz soltinho como gosto!”. Quando nossas frases são construídas desta maneira, o receptor da mensagem coloca-se na defensiva, vai contra argumentar de maneira a se defender da acusação. Experimente trocar os pronomes você por eu, assim: “Eu fico triste quando você não faz o arroz soltinho como gosto”. Agora perceba como a interpretação do outro será completamente diferente (e você ainda corre o grande risco de comer um arroz soltinho).
- Seja estratégico(a)
O cômico Pr. Mark Gunkor ensina que as mulheres precisam ser estratégicas para motivar os homens. De maneira alguma deve-se tentar motivá-lo a fazer algo com insultos... desta maneira o homem ficará ainda mais resistente. Então ele diz: “Treine-o com algum reforço positivo. É quase como treinar um chipanzé. Não precisa bater ou insultar o macaco, é só recompensar quando fizer... elogie por qualquer coisa que ele fizer... quanto mais elogiar, mais ele quererá fazer.”
Homens e mulheres possuem alguns ‘gatilhos’ que os incentivam a serem melhores, algumas pessoas, por exemplo, são fortemente motivadas por elogios, então elogie qualquer iniciativa do outro. Mesmo que dê tudo errado e você pense: “Afff, como posso elogiar algo que não podia ter ficado pior?”. Sim, elogie-o pelo menos pela iniciativa. Com o tempo, quem sabe, além da iniciativa, ele(a) também adquira qualidade no que fizer.
Outras pessoas serão motivadas com outros ‘gatilhos’, descubra qual é o de seu futuro cônjuge e use isto a favor de seu relacionamento.
Os homens, talvez por causa do costume de nossa cultura, geralmente possuem mais dificuldade em expressar emoções, procuram evitar DRs, esperam, postergam, mas problemas não são como vinho que melhoram com o tempo... na verdade, é o contrário, problemas pioram com o tempo! Mulheres, vocês precisarão encontrar a estratégia certa para motivá-los.
- Tempo exclusivo de aprimoramento
A comunicação no relacionamento familiar é como criar pontes, pontes que conectarão ilhas de emoções, sentimentos, desejos, frustrações, e tudo o mais que os tornarão um só corpo, um só continente.
Quando estas pontes não são criadas através da comunicação, as ‘ilhas’ vão se distanciando automaticamente, e quando ambos menos esperam, se veem como estranhos dentro de casa, e às vezes já é tarde para se ajustar.
Você já deve ter ouvido muitas vezes: “case-se com alguém com quem goste de conversar”. Não estou sendo prolixo, nem repetitivo, isto é a mais pura verdade. Em determinado momento do relacionamento o gosto pelo diálogo entre vocês será uma das poucas coisas que restarão e será vital para a manutenção da intimidade, cumplicidade e da amizade de vocês.
Reflexão do capítulo
“A afirmação de Paul Tounier em To understand Each Other (Compreender-se mutuamente) soa verdadeira: “A assim chamada incompatibilidade é um mito inventado por juristas carentes de argumentos com o fim de requerer o divórcio. É provavelmente uma desculpa comum que as pessoas usam para esconder seus próprios sentimentos. Eu simplesmente não creio que ela exista. Não há incompatibilidades. Há divergências e erros que, entretanto podem ser corrigidos quando há vontade para fazê-lo”. (DRESCHER, John M. Em busca do amor no casamento. Tradução de Rubens Castilho. 2. ed. Campinas: United Press, 1998. 248 p. 27.)
Estas correções no relacionamento que acontecem quando há ‘vontade para fazê-lo’, conforme lemos acima, certamente acontecerão por meio da comunicação - Se existe uma boa comunicação no relacionamento, todo o resto vem como consequência.
“O coração ansioso deprime o homem, mas uma palavra bondosa o anima” - Pv 12:25.
Clique no link para abrir o capítulo desejado:
Capítulo 1 - Começando do Começo
Capítulo 2 - A junção de 2 mundos
Capítulo 3 – Conhecendo (de verdade) meu futuro cônjuge
Capítulo 4 - Quem não se planeja, planeja falhar
Capítulo 5 - Sonhe, mas com os pés no chão
Capítulo 7 - A arte de administrar conflitos conjugais
Capítulo 8 - Papéis familiares