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Capítulo 1 - Começando do começo

Outro dia assisti a um vídeo onde um homem estava na sacada de um edifício de aproximadamente 5 andares batendo com uma marreta numa das colunas de sustentação do prédio. Enquanto assistia, não me parecia que uma coluna a menos em meio a tantas outras faria qualquer diferença. De repente, todo o prédio começou a ruir, e em alguns segundos tudo foi ao chão, soterrando aquele pobre homem. Se deseja entender melhor a importância de pilares sólidos, vigas bem dimensionadas, e a importância disso numa construção, acesse e assista alguns vídeos no endereço www.edvanderson.com.br/desabamento.

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“Quem falha em planejar, planeja falhar” (Winston Churchill). Não apenas a casa que construímos precisa de boa base, bom terreno, vigas e pilastras devidamente dimensionadas. Para que tenhamos um casamento feliz as nossas escolhas, nosso preparo e estratégias precisam ser bem pensadas, planejadas e estruturadas. A Bíblia nos ensina nos evangelhos que a casa que vai suportar os ventos, a chuva, a alta dos rios, isto é, as tempestades da vida, é aquela que está bem fundamentada sobre uma base bem sólida (Mt 7:24).

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Quero listar algumas destas importantes bases que têm faltado em muitos lares, e por que não dizer, na maioria, provocando desmoronamentos e até mortes conjugais e familiares:

 

Falta de preparo

Como diz o Pr. Josué Gonçalves, “casamento é uma escola onde os dois se matriculam para ser o que nunca foram”. É muito bom que você tenha tomado a decisão de se preparar um pouco mais para o seu casamento. Em inúmeros casos, o divórcio já se inicia no namoro, e isso se dá pelo fato de que pessoas não observaram questões importantes que são ensinadas na maioria dos cursos pré-nupciais, dos livros de relacionamentos conjugais, bem como em vídeos e palestras próprias deste tema.

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Pessoas estudam no ensino fundamental, técnico, médio, na faculdade, mestrado, pós-graduação, doutorado, cursinhos diversos e para diversas outras áreas, mas não têm tido a preocupação em fazer o mesmo para o casamento. Pensam que na vida a dois tudo será um mar de rosas, que as características indesejadas do outro serão miraculosamente transformadas quando se casarem, e então serão dois pombinhos apaixonados vivendo no paraíso. Quando percebem que a realidade não é tão parecida com o que sonhavam e que não estão preparados adequadamente para a jornada a dois, então frustram-se, decepcionam-se.

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Um grande, importante e acertado passo já foi dado por você na busca por uma família feliz – preparar-se! Continue acertando!

 

Expectativas: Quais são as suas?

Quando me casei, em Janeiro de 2000, passei a viver um sonho maravilhoso. Criei muitas expectativas acertadas do que eu viveria com minha amada, mas no quesito “quantidade de sexo” confesso que errei grandiosamente (o que me consola é que 99% dos homens também erra grandiosamente neste ponto). Mas tirando isso, minha nova vida era realmente muito agradável: casa nova, móveis novos, novidades nas refeições, dormir de conchinha, ficar acordado com a esposa até de madrugada assistindo filmes, etc.

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Certo dia encontrei minha ‘anjinha’ chorando. Lhe perguntei com insistência algumas vezes o por que, até que ela enfim respondeu:

 - “Imaginei que o casamento fosse diferente, que fosse pouco mais ‘conto de fadas’ do que realmente estamos vivendo”. E eu respondi:

- “Mas amor, está tudo tão bem! Tudo lindo e maravilhoso! O que mais você quer?”. E ela respondeu: - “Não sei, só sei que imaginava o casamento ainda melhor do que a vida que estamos levando”. Fiquei sem entender o que estava faltando.

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No livro A miragem do casamento, Lederer e Jackson expõem uma metáfora incrível que em poucas linhas resume muito bem a questão das nossas expectativas antes do casamento:

 

“O casamento é como se resolvêssemos tomar um avião para passar as férias de Janeiro nas Bahamas e, ao descer do avião, percebemos que fomos aterrissar nos Alpes Suíços. Faz frio, está nevando, não tem piscina nem sol. Vamos precisar comprar roupas de inverno, aprender a esquiar, falar outra língua. Constatamos, com surpresa, que é tudo bem diferente do que tínhamos imaginado. É perfeitamente possível passar ótimas férias na Suíça, só é preciso ter paciência...” (ANDOLFI, Maurizio; ANGELO, Claudio; SACCU, Carmine. O casal em crise. 3. ed. São Paulo: Summus Editorial, 1995. p. 121.)

           

Expectativas surreais! Este é o grande erro da maioria dos noivos, e foi onde minha digníssima esposa também errou. Criam expectativas exageradas quanto ao casamento, pensam que os comportamentos errados do outro serão mudados após o casório, que na vida de casal os problemas serão poucos e pequenos, que farão muito sexo (posso rir?), que as ‘almas gêmeas’ serão unidas como num conto de fadas ou num romance hollywoodiano, que o romantismo será constante, que o diálogo entre os dois será perfeito, que seu esposo(a) terá todas as boas características atuais e mais algumas outras ainda melhores que serão descobertas na vivência a dois... Puxa, como posso dizer a vocês que as coisas são ‘um pouquinho’ diferentes?

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Levar expectativas surreais e fantasiosas para o casamento geralmente acaba em grandes frustrações. O casamento tem seus momentos maravilhosos sim, e é claro que precisamos almejar e visualizar bons momentos nele, mas precisamos sonhar com os pés no chão – isso nos remete ao equilíbrio: lembre-se de que sua mulher terá TPM (Treinada Para Matar, Todos os Problemas Misturados, Tocou-Perguntou-Morreu, etc.), surgirão problemas financeiros, intromissões dos pais no casamento de vocês, discórdias com cunhados, problemas de saúde, atritos entre cônjuges, choro de bebê durante a noite e trabalho no outro dia bem cedinho, necessidades sexuais distintas, tubo da pasta de dentes aberto, toalha molhada sobre a cama, esponja de banho no chão do box do banheiro,  arroz queimado, feijão salgado, pia constantemente cheia de louças sujas, crises de identidade, menopausa, andropausa, discordâncias quanto a utilização do dinheiro, criação dos filhos, a chegada dos candidatos a genros, noras, redes sociais, etc.

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Portanto, como dito, sonhem, imaginem, visualizem, mas façam tudo isso com os pés bem fixos no chão!

 

Audição seletiva

Antes do casamento, parece que ouvimos seletivamente: escutamos o trecho “... na alegria” e deixamos de ouvir “... na tristeza”, ouvimos “... na saúde...” e não o “... na doença...”. Escutamos principalmente quando o celebrante diz “... na riqueza...”, mas fazemos questão de não ouvir “... na pobreza...”, e assim por diante.

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Ainda sobre ouvir seletivamente, fazemos questão de não ouvir todos aqueles que querem nos alertar quanto as dificuldades da vida a dois, dos custos, dos problemas comuns com a chegada dos filhos, da importância de conhecermos melhor o(a) noivo(a) antes de se casar, das enormes dificuldades em se casar com pessoas com certas características, a não começar a namorar tão cedo, na importância de priorizar os estudos antes de pensar em casamento, e assim vamos fazendo ‘ouvido de mercador’. Como adolescentes, ignoramos a experiência dos pais, conselheiros, líderes e pastores. Talvez pensem: ‘com a gente será diferente’.

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É claro que os ‘conselhos’ de uma ou outra pessoa devem ser ignorados quando percebemos que estes não se enquadram nas características de conselheiros confiáveis. Mas quando vemos que a grande maioria à nossa volta fala no ‘mesmo tom’ sobre algo que devemos ficar atentos, ou sobre alguém, ou que a vida a dois pode ser bem prazerosa e ao mesmo tempo difícil, por que não abrir bem os ouvidos e pesquisar mais? Estudar mais? Buscar compreender melhor a vontade de Deus para você? Pode ter certeza que Ele tem mais interesse na sua felicidade que você mesmo! Fato! Não estou dizendo que é para desistir do casamento, mas apenas que a decisão precisa ser muito bem pensada, calculada.

 

Motivações erradas

Vejamos algumas das principais motivações erradas que, surpreendentemente, ainda fazem com que algumas pessoas decidam se casar:

 

Gravidez

Degustaram da ‘fruta’ antes da hora e sem qualquer prevenção, agora algo que seria lindo noutro momento é um problema para ambos e geralmente para os seus pais. No entanto, procurar resolver da mesma maneira que se resolvia antigamente, forçando duas pessoas a se casarem é o mesmo que procurar corrigir um erro com outro erro. Uma gravidez e um filho não são bases sólidas para um relacionamento que, mesmo com muito planejamento e amor, pode dar errado.

 

Por que estão apaixonados

De acordo com estudiosos e pesquisadores da área, a paixão é uma fase em que se sente estar ‘nas nuvens’, onde os pensamentos são constantemente invadidos pelas lembranças do outro, os sentimentos e sensações são intensas, geralmente não observam os defeitos do outro nem as desvantagens em manter a relação, possuem poderosa ‘audição seletiva’, perdem o sono, há euforia, borboletas na barriga, calorão, tremor, palpitações, sentimento de posse, de dependência, e são capazes de grandes e impensadas loucuras pelo outro. Esta fase, afirmam, tem duração máxima de 2 anos.

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Ao final deste louco período, o sentimento pode transformar-se em amizade, ódio, indiferença ou amor. Diferentemente do que muitos dizem, não existe ‘amor à primeira vista’ – pode existir atração, depois paixão, mas amor não! O amor é “...aquele momento no qual percebemos que a pessoa amada não é aquele ser maravilhoso e sem defeitos que imaginávamos. Ou seja, o fim da paixão traz o fim da idealização do outro e a capacidade de se enxergar o parceiro como ele realmente é, com suas qualidades e defeitos. Mas, se o amor se instalou, percebemos que, apesar de o outro ser imperfeito, que esteja meio gordo, careca, acorde sempre mal humorado ou use roupas fora de moda, ainda assim o amamos profundamente e queremos continuar nossa vida ao seu lado...”. (http://psiquiatriabh.com.br)

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Sendo assim, torna-se imprudente casar-se rápido demais após conhecer o outro, ou enquanto o sentimento ainda não se fortaleceu e se transformou em algo mais sólido, que como vimos, é o amor.

 

Para ser feliz

Casamento não é remédio para a infelicidade de alguém. Casar para ser feliz assemelha-se aos romances famosos que iludem aos mais carentes, no entanto, na vida real é diferente – bastante. Se você casar-se com esta expectativa, certamente não se frustrará sozinho, mas tornará o outro infeliz também. Seja feliz antes e case-se depois.

 

Para sair de casa, como fuga

Muitas pessoas vivem relacionamentos bem difíceis com pais e irmãos, exploração, violência física, abusos emocionais e até sexuais, uma atmosfera realmente pesada, e diante de tudo isso passam a ver o casamento como um meio de se livrar de toda essa dor, de fugir. Apesar de ser justificável o desejo de estar distante de todo esse sofrimento, esta não é a correta motivação para um casamento. Você poderá estar saindo de um tipo de dor para outro, que poderá começar mais cedo ou mais tarde dentro de seu ambiente familiar e trazer aos seus filhos sofrimentos iguais ou piores que aqueles que você sofria antes de casar-se. Você realmente acha isso justo com eles?

 

Para suprir a ausência de um dos pais

Consciente ou inconscientemente, alguns tentam suprir a ausência de um pai preenchendo o vazio com um marido, ou homens procuram preencher o vazio provocado pela ausência da mãe com uma esposa. Acontece que ao fazer isso, acaba por viver uma relação fantasiosa que não será adequadamente suprida, gerando frustrações e problemas no relacionamento. Seu marido ou sua esposa, por melhor que sejam, jamais se enquadrarão perfeitamente no vazio deixado por um pai ou uma mãe.

 

Por que está ‘ficando pra titia’

A sociedade costuma pressionar e até ridicularizar pessoas que, de acordo com seus padrões, estão passando da idade de se casar. Este problema é ainda maior com as mulheres da nossa cultura, que geralmente a partir dos 30 anos de idade são consideradas ‘titias’. Um ambiente familiar possui momentos maravilhosos, mas os momentos difíceis jamais serão suportados com uma motivação tão fraca como casar-se por causa da idade avançada.

 

Por influência de amigos ou familiares

Em uma rede de amigos sempre existem alguns solteiros que são considerados mais estimados, e assim, às vezes até com a melhor das intenções, existem aqueles que desejam fazer o papel de cupidos tentando unir dois em um relacionamento que será ‘perfeito’. Começa então um ‘leva-e-traz’ de recadinhos, mensagens, troca de telefones, saídas em grupo para shoppings, cinemas e restaurantes onde os dois, vez ou outra, são ‘esquecidos’ ou ‘deixados’ em algum cantinho.

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Diante desta ‘pressão’ e de muitas recomendações, o casal acaba por iniciar algo sem se perguntar sinceramente: “Esta é a pessoa ideal para mim? É com esta pessoa que dividirei toda a minha vida e compartilharei filhos?”. “É este o momento?”, “Estou em posse da minha razão ou estou sendo sugestionado e até pressionado por amizades?”. 

 

Para fazer sexo

Esta é uma motivação bem comum, principalmente no meio cristão onde os jovens são orientados a manterem relações sexuais apenas após o casamento. Alguns citam I Coríntios 7:9 para justificar sua decisão precipitada de casar-se: “Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.”. O versículo não direciona a casar-se apenas pelo sexo, mas que tendo o casal preenchido todos os outros pré-requisitos, e não podendo manterem-se puros, então que se casem.

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Apesar do sexo ser o oxigênio num casamento, todos sabemos que nem só de oxigênio vive um corpo.

 

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Tendo visto algumas das motivações erradas para contrair matrimônio, talvez algum casado diga: “...não me casei com nenhuma destas motivações erradas, e mesmo assim meu casamento está definhando. O que está acontecendo? Por que?”.

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No começo do relacionamento tudo era novidade, a prioridade da vida de um era o outro; se proibissem o namoro, seriam capazes de fugir ‘por amor’, queriam estar juntos o tempo todo, relevavam as falhas um do outro, ‘mão boba’ aqui e ali, beijos longos, quando estavam distantes telefonavam o tempo todo, mandavam mensagens, os defeitos do outro (se é que percebiam algum) não eram tão importantes, havia sempre uma grande expectativa para o próximo encontro e qualquer acontecimento entre os dois era geralmente algo novo e emocionante.

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Foi então que, gradativamente a rotina se intrometeu no relacionamento, dificuldades diversas da vida, desgastes, conflitos, a quase total inexistência de novidades, a falta de emoções e das borboletas na barriga, e com tudo isso o relacionamento foi gradativamente esfriando, tudo foi deteriorando por falta de manutenção, de investimento, cuidado e proteção. Aqueles que não se esforçam no intuito de gastar energia com as ‘manutenções periódicas’ do relacionamento geralmente só conseguem perceber o problema quando o desgaste já aconteceu, e vez por outra descobrem que nem mesmo toda a energia que puderem gerar agora trará de volta o bom nível de estruturação do relacionamento, ou apagar as sequelas provocadas.

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Seu trabalho na batalha pelo seu relacionamento começa agora e precisará continuar acontecendo até sempre, e diariamente. Grande parte do que você está vendo aqui certamente já conhece, já ouviu falar, ou por A + B reconhece que é o mais sensato a fazer. No entanto, bem sabemos que ‘a teoria posta em prática é um tanto quanto difícil’, não é mesmo? Mas comprometa-se com a sua felicidade, com seu sonho a dois e com seu futuro.

 

Reflita e responda:

1 - Quais são suas expectativas e seus anseios para o curso pré-nupcial que você inicia?

2 – Você já fez algum curso pré-nupcial/casais?

3 – Você costuma ler livros sobre namoro, noivado, casamento e sexo no matrimônio?

4 – Após estudarmos este capítulo, você crê que mantinha (ou ainda possui) expectativas surreais?

5 – Qual sua motivação para se casar ou para manter seu casamento? Esta motivação estaria na lista de ‘motivações erradas’ citadas aqui?

© 2026 por Edvanderson Rodrigues - Todos direitos Reservados.

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