top of page

Sexo com dor: o que pode estar por trás do problema e quando procurar ajuda

  • Foto do escritor: Edvanderson Rodrigues
    Edvanderson Rodrigues
  • 3 de fev.
  • 3 min de leitura

A dor durante a relação sexual ainda é uma realidade silenciosa para milhões de mulheres e segue cercada por tabu, desinformação e silêncio. Mesmo com impacto direto na saúde física, emocional e nos relacionamentos, o problema costuma ser subnotificado e, muitas vezes, tratado como algo “normal”, psicológico ou que precisa ser suportado.

Revisões clínicas e consensos internacionais sobre saúde sexual feminina indicam que entre 40% e 45% das disfunções sexuais afetam mulheres, e uma parcela expressiva envolve dor associada à penetração, como ocorre no vaginismo e na dispareunia. Ainda assim, a procura por avaliação especializada permanece baixa.

 

Segundo a fisioterapeuta Mariana Milazzotto, mestre em Ciências Médicas, a demora em buscar ajuda está diretamente ligada à forma como a dor feminina é historicamente tratada. “Muitas mulheres crescem ouvindo que sentir dor na relação é normal, que é ansiedade ou falta de relaxamento. Outras sentem vergonha de falar sobre o assunto ou recebem orientações genéricas que não resolvem o problema. Dor durante o sexo não é normal e tem tratamento”, afirma.

 

O que pode estar por trás da dor na relação

A Organização Mundial da Saúde reconhece a sexualidade como parte da saúde e da qualidade de vida, relacionada a prazer, intimidade e bem-estar. Quando a dor aparece, os efeitos vão além do físico e podem incluir ansiedade, frustração, queda da autoestima, afastamento afetivo e sofrimento emocional.

 

Entre as condições mais associadas à dor na relação estão:

Dispareunia: dor durante ou após a relação sexual, que pode ser superficial ou profunda.

Vaginismo: contração involuntária da musculatura vaginal, que torna a penetração muito dolorosa ou até impossível, inclusive durante exames ginecológicos ou no uso de absorventes internos.


 

De acordo com critérios internacionais, essas condições são diagnosticadas quando a dor é recorrente ou persiste por pelo menos seis meses, frequentemente associada a medo, ansiedade ou tensão muscular relacionada à penetração.

 

As causas são multifatoriais e podem envolver tensão excessiva dos músculos do assoalho pélvico, alterações hormonais, experiências dolorosas anteriores, traumas físicos ou emocionais, crenças negativas sobre sexualidade e educação sexual repressora. “Quando essa musculatura permanece em estado de defesa constante, o corpo responde com dor”, explica Milazzotto.

Por que o problema ainda é pouco diagnosticado

Na prática clínica, a especialista observa que muitas mulheres não relatam a dor por vergonha ou por acreditarem que o incômodo faz parte da vida sexual. Outras acabam sendo encaminhadas apenas para acompanhamento psicológico, sem avaliação corporal adequada.

 

“Em muitos casos, o corpo também precisa de cuidado específico. Ignorar isso atrasa o diagnóstico e prolonga o sofrimento. Dor que se repete não deve ser normalizada”, diz.

Levantamentos populacionais mostram que, apesar da alta prevalência de sintomas, a busca por atendimento especializado em saúde sexual feminina ainda é limitada, o que contribui para a interrupção progressiva da vida sexual e para o impacto na saúde emocional.

Como é o tratamento e quando procurar ajuda

A fisioterapia pélvica atua diretamente sobre os músculos do assoalho pélvico, responsáveis por sustentar órgãos, controlar esfíncteres e participar da resposta sexual. O foco não é apenas fortalecer, mas ensinar a relaxar, coordenar e perceber o próprio corpo.

 

Evidências clínicas e revisões científicas apontam melhores resultados quando o tratamento combina diferentes recursos, como técnicas de relaxamento e consciência corporal, liberação miofascial, treinamento da musculatura pélvica, uso orientado de dilatadores vaginais, biofeedback e educação sexual. Os estudos mostram redução significativa da dor, melhora da função sexual e impacto positivo na qualidade de vida, especialmente quando o plano terapêutico é individualizado.

 

A orientação é buscar avaliação especializada sempre que a dor:

- surgir de forma recorrente ou persistir por meses;

- dificultar ou impedir a relação sexual;

- causar medo, ansiedade ou evitação do contato íntimo;

- aparecer também em exames ginecológicos ou no uso de absorventes internos.

“O cuidado precisa ser integral. A integração entre fisioterapeuta, médico e psicólogo amplia os resultados e acolhe a mulher de forma completa. O mais importante é saber que existe tratamento e que procurar ajuda muda o desfecho”, conclui Mariana Milazzotto.

 


Tags.: sexo, dispareunia, vaginismo, disfunção sexual

 

 
 
 

Comentários


Post: Blog2_Post

Tags: Amor, emoção, lar, relacionamento, esposa, esposo, filho, filha, pai, mãe, marido, mulher, casal, casamento, cônjuge, conjugal, sexo, sexual, sexualidade, romantismo, romântico, família, familiar, terapia, terapeuta, divórcio, terapia online, ansiedade, depressão, stress, estresse, sindrome do pânico, luto, sistêmico, raiva, ódio, mindfulness, mentoria, transtorno alimentar, anorexia, bulimia, abuso sexual, violência doméstica, fobia, Freud, Freudiana, psicanálise, psicanalista, análise, terapia familiar, terapia sistêmica, Incompatibilidade sexual, ciúmes, Infidelidade, Edvanderson

bottom of page